Bretas condena Carlos Arthur Nuzman e Sérgio Cabral à prisão por fraudes na escolha da Rio 2016

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou nesta quinta-feira (25) o ex-presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, o ex-governador Sérgio Cabral, e Leonardo Gryner, ex-diretor de operações do comitê Rio 2016, à prisão.

Eles são acusados de fraudes na compra de votos dos integrantes do Comitê Olímpíco Internacional (COI) para a eleição do Rio como sede da Olimpíada de 2016.

Na sentença, a pena de Nuzman foi a mais alta e chega a 30 anos, 11 meses e 8 dias de reclusão e pagamento de 1.344 dias-multa, ao valor unitário de um salário-mínimo, pelos crimes de corrupção passiva, pertinência à organização criminosa, lavagem de ativos e evasão de em regime fechado.

O juiz concedeu, no entanto, que Nuzman recorra da sentença em liberdade, desde que mantidas eventuais medidas cautelares determinadas em superior instância pelos fundamentos já expostos.

Sérgio Cabral teve delação premiada cancelada

Já a pena do ex-governador Sérgio Cabral para o crime de crime de corrupção passiva chega a 10 anos e 8 meses, e 391 dias-multa em regime fechado.

Bretas salientou ainda que um acordo de colaboração premiada a que Cabral tinha se submetido foi invalidado porque o STF decidiu pela impossibilidade de a Polícia Federal firmar esse tipo de acordo sem a anuência do MPF.

O ex-diretor diretor de operações do comitê Rio 2016, Leonardo Gryner, também foi condenado à prisão pelos crimes de corrupção passiva e pertinência a organização criminosa. Ele deverá cumprir 13 anos e 10 meses de reclusão em regime fechado e pagar 625 dias-multa, ao valor unitário de um salário-mínimo pelos crimes.

Outras penas

Marcelo Bretas ainda condenou o trio a pagar danos morais coletivos como forma de reparação pelos danos decorrentes da corrupção no valor de R$ 3,8 milhões para os três réus.

Eles também foram condenados à perda do cargo, função, emprego ou mandato eletivo e interdição para o exercício de cargo ou função pública pelo prazo de 8 anos.

Organização criminosa internacional

A denúncia de compra de votos para a realização da Rio 2016 foi investigada na operação Unfair Play, que mostrava como o governo de Cabral fazia a ponte entre o empresário Arthur Soares, o Rei Arhur, para financiar a fraude, e os membros do Comitê Olímpico Brasileiro.

De acordo com o Ministério Público, as fronteiras internacionais não limitaram a atuação da organização criminosa do ex-governador Sérgio Cabral. Para os procuradores, “trata-se de um esquema altamente sofisticado, que agia internacionalmente com desenvoltura e uma engenhosa e complexa relação corrupta”. Prova disso é que, para alcançar o atual estágio da investigação, o MPF teve que realizar pedidos de cooperação jurídica internacional com nada menos que quatro países diferentes: Antígua e Barbuda, França, Estados Unidos e Reino Unido.

Durante as investigações, o Ministério Público Francês colheu substancioso material para demonstrar que houve compra de votos para escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Um dos votos foi comprado de Lamine Diack, então presidente da Federação Internacional de Atletismo e então membro do Comitê Olímpico Internacional, por meio de seu filho, Papa Massata Diack.

G1*

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