Política

Eduardo Paes entra com AIJE contra Douglas Ruas e pede cassação do mandato

Eduardo Paes e Douglas Ruas eleições 2026
Eleições 2026: Eduardo Paes e Douglas Ruas

A coligação de Eduardo Paes (PSD) ingressou na Justiça Eleitoral com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Douglas Ruas (PL) e a Coligação Rio Real, pedindo a cassação do registro ou do diploma do candidato eleito ao Governo do Estado do Rio de Janeiro. Protocolada nesta quarta-feira (4), a ação aponta suspeitas de abuso de poder político e econômico, compra de votos, coação de eleitores e irregularidades na propaganda eleitoral durante as eleições de 2026.

A petição reúne denúncias, registros policiais, reportagens e publicações em redes sociais para sustentar as acusações. Os advogados de Paes apontam quatro principais frentes de investigação: distribuição de propaganda supostamente enganosa, circulação de santinhos sem identificação, possível indução de votos nulos e suspeitas de compra e coação de eleitores.

Panfletos são questionados

Um dos principais pontos da ação envolve a contratação de 100 mil panfletos intitulados “DOUGLAS RUAS – EVANGÉLICO”, pagos com recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

Segundo a petição, o material atribuía a Eduardo Paes posições favoráveis ao aborto, à liberação de drogas e à adoção de banheiros unissex, entre outros temas. Os advogados sustentam que as informações eram falsas e tinham como objetivo influenciar o eleitorado religioso.

A campanha também questiona o panfleto “RIO ESCOLHE”, que associava Paes ao então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva e destacava o número 13. Para os autores da ação, a propaganda poderia induzir eleitores a digitar o número de Lula na disputa para governador, embora Paes concorresse com o número 55.

A petição destaca que 204.309 votos para governador foram anulados após eleitores digitarem o número 13. Douglas Ruas venceu no primeiro turno, com 4.271.199 votos (50,88% dos válidos), enquanto Eduardo Paes recebeu 3.706.984 votos (44,16%).

Os advogados argumentam que, caso os votos anulados com o número 13 tivessem sido destinados a Paes, o resultado poderia ter sido diferente, levando a disputa para o segundo turno. A relação entre o material de campanha e os votos anulados, entretanto, ainda precisará ser demonstrada no processo.

Santinhos e suspeitas de compra de votos

Outro ponto questionado é a circulação de santinhos que associavam a fotografia e o nome de Eduardo Paes ao número 22, utilizado por Douglas Ruas. Segundo a ação, parte do material não apresentava identificação do contratante ou da gráfica responsável.

A petição também cita a apreensão de R$ 600 mil em dinheiro e planilhas em Niterói, em um episódio envolvendo Priscila Alencar dos Santos, filha da deputada federal Soraya Santos (PL). Os advogados pedem a investigação da origem e do destino dos recursos.

Em Teresópolis, a ação menciona a apreensão de materiais de campanha de Ruas, um crachá de fiscal partidário e R$ 2 mil em espécie dentro de um veículo no dia da votação.

Também foram reunidas denúncias de suposta compra e coação de eleitores em diferentes regiões do estado. Publicações no X, Instagram, Threads, Facebook e Reddit relatam pagamentos entre R$ 50 e R$ 200 em troca de votos.

Campanha pede identificação de usuários nas redes sociais

Para aprofundar as investigações, os advogados de Eduardo Paes solicitaram que as plataformas digitais forneçam informações sobre mais de 60 perfis mencionados na ação. O objetivo é identificar os responsáveis pelas publicações e permitir que sejam eventualmente ouvidos como testemunhas.

A petição também pede o compartilhamento de procedimentos e investigações conduzidos pela Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Eleitoral e demais órgãos de fiscalização eleitoral relacionados aos episódios relatados.

Ao final, a campanha de Paes pede que a Justiça Eleitoral apure as condutas atribuídas a Douglas Ruas e à Coligação Rio Real e, caso as irregularidades sejam comprovadas, determine a cassação do registro ou do diploma do candidato eleito.

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