24/06/2024
Política

62,5 milhões na pobreza: o desafio de Lula para 2023

“Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”.

E completando os versos da clássica canção de fim de ano: também educação, moradia, emprego e comida na mesa.
A esperança é grande para que o Brasil consiga reverter os péssimos indicadores socioeconômicos que marcaram os últimos quatro anos. É fato: a pobreza no país aumentou e atingiu níveis preocupantes, que vão exigir muito trabalho do futuro presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

– Apesar da dureza desses dias, com muita gente passando fome ou desempregada, com o rombo gigante nas contas públicas por causa de um gasto irresponsável do atual governo, que buscou de todas as formas comprar voto, nós temos muitos motivos para estar esperançosos com novos tempos, de valorização do salário e comida na mesa do povo – avalia José Maria Rangel, que é diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e ex-coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Fome afeta 33 milhões

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o contingente de pessoas com renda familiar per capita de até R$ 497 mensais – limite que caracteriza a pobreza – chegou a 62,5 milhões em 2021. Isso significa 29,6% da população total do país. Entre 2019 e 2021, 9,6 milhões de pessoas cruzaram a linha da pobreza.

Este drama atinge também o interior do estado do Rio de Janeiro. Dados do “Mapa da Nova Pobreza”, desenvolvido pelo FGV Social, indicam que a pobreza hoje afeta 22,6% da população da Região dos Lagos e 26,12% do Norte Fluminense – esta última, a região que mais foi beneficiada pela pujança econômica do ciclo do petróleo nas últimas duas décadas.

A fome caminha ao lado da pobreza. Mais de 33 milhões de brasileiros e brasileiras vivem em situação de insegurança alimentar. São chefes de família que não sabem se conseguirão alimentar seus filhos hoje ou amanhã. Pesam contra eles a inflação elevada e a alta do custo de vida, entre outros fatores que ajudam a agravar o problema e aumentar a desigualdade social no país.

Investimentos urgentes

No campo político, o futuro governo federal já se articula com o Congresso Nacional para garantir recursos que não foram incluídos ou retirados do Orçamento da União de 2023. Num esforço conjunto com o Senado Federal, foi aprovada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que aumenta o limite de gastos da União. A intenção de Lula é garantir o Bolsa Família de R$ 600, mais R$ 150 por filho de até 6 anos de idade dos beneficiários, além de assegurar o reajuste do salário mínimo e valorizar as aposentadorias.

O futuro presidente também pretende reestruturar programas nas áreas de saúde e educação, que tiveram cortes vultosos no orçamento ao longo do governo Bolsonaro. Pretende retomar o Minha Casa Minha Vida e o Farmácia Popular, além de reativar o setor de construção naval para que as plataformas e navios do setor de petróleo e gás voltem a ser construídos no Brasil, gerando milhares de empregos. Mas outros desafios virão pela frente.

Na opinião de Zé Maria, a história de vida do presidente Lula e dos governos em que ele esteve à frente demonstram isso. “Se tem alguém nesse país com autoridade para falar em acabar com a fome e gerar emprego, esse alguém se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Então 2023 é um ano que com certeza vai ser bem melhor que os últimos períodos. Não tenho a menor dúvida disso”, diz o diretor, que também foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da República. Adeus, Ano Velho! Feliz Ano Novo!

Alerj

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