Witzel fala em ‘ordem’ para não sair de casa: ‘Daqui a pouco vamos ter que começar a levar para a delegacia’

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), endureceu o discurso e disse nesta segunda-feira (30) que vai responsabilizar quem sair de casa durante isolamento no estado.

“Daqui a pouco vamos ter que começar a levar para a delegacia. Até então foi um pedido, agora estou dando uma ordem: não saia de casa. Porque aqueles que amanhã ou depois morrerem por falta de atendimento porque a curva de contaminação aumentou pela morte você (que saiu de casa) será culpado”, afirmou.

E completou: “Carregue na sua consciência que aquele idoso, aquela pessoa que morrer, você terá ajudado a matá-la”.

Wilson Witzel participou de uma coletiva no Palácio Guanabara no início desta tarde desta segunda anunciando mais detalhes do decreto que prorroga por mais 15 dias as medidas restritivas contra o coronavírus. Veja abaixo outras informações sobre o decreto.

Crime contra a humanidade

O governador disse, inclusive, que o presidente Jair Bolsonaro pode ser acusado de crimes contra a humanidade por desrespeitar as determinações dos órgãos de saúde sobre o combate ao coronavírus.

“Não estou aqui para fazer prejulgamento de ninguém, mas se pudesse dar um conselho como jurista diria que está colocando em risco à sua liberdade porque é um chefe de estado e a um chefe de estado não se admite que vá na contramão de recomendações como a ONU, OMS. Fazer ações que possam aumentar a pandemia pode ser caracterizado nos termos do artigo 7º do Estatuto de Roma de crime contra a humanidade”.

Algumas medidas renovadas nesta segunda:

  • Aulas nas unidades da rede pública e privada de ensino, inclusive nas unidades de ensino superior;
  • Comícios e passeatas;
  • Jogos de futebol e demais eventos desportivos;
  • Sessões de cinema e de teatro;
  • Shows;
  • Eventos em salão ou casa de festas, como aniversários;
  • Feiras;
  • Eventos científicos;
  • Visitação a unidades prisionais;
  • Visitação a pacientes diagnosticados com o Covid-19.

O governador voltou a dizer que é importante a população seguir as orientações dos órgãos de governo e que, ainda assim, muitas pessoas morrerão.

“Não acredite em qualquer informação que não seja pautada em critérios técnicos, sob pena de termos um grave agravamento da crise e a pessoa que está ao seu lado pode não ser salva”, defendeu.

Witzel disse ainda:

“Vamos dar às pessoas a oportunidade de serem salvas. Muitas não sobreviverão, mas não podemos em momento algum imaginar que vamos ter que decidir quem vive e quem morre”.

Ele reiterou que, como governador, vem cumprindo seu papel.

“Não quero que a história venha me julgar por ser irresponsável ou omisso no meu dever como governante. Por isso, peço ao povo do Rio de Janeiro que confie e acredite. Estamos vivendo momentos muito difíceis”.

Reavaliação do decreto

Sobre o decreto publicado nesta segunda-feira (30), o governador explicou que no dia 4 de abril será feita uma reavaliação das medidas adotadas em todo o estado.

“Faremos nova avaliação da curva de crescimento da doença para, no dia 6 [abril], podermos ou não fazer um redução das medidas restritivas, mas pautado na área da técnica da saúde, jamais observando interesses econômicos”, destacou.

Segundo o governador, a questão econômica do estado do Rio ainda preocupa, mas em algum momento será resolvida.

“Economia é uma preocupação, será resolvida a questão econômica. Teremos algumas pequenas mudanças, permitindo bares e restaurantes com 30% de sua capacidade, mas pedimos responsabilidade”.

Equipamentos para a Saúde

Outras medidas anunciadas pelo governador incluem a compra de mais equipamentos e a disponibilização de mais leitos para tratar pacientes com coronavírus. Confira abaixo o que está previsto:

  • 1,2 mil leitos até 30 de abril em 8 hospitais de campanha;
  • Samu receberá nesta segunda mais 82 veículos;
  • 900 respiradores novos;
  • 1,5 milhão de máscaras cirúrgicas;
  • 300 mil óculos de proteção.

STF

Sobre um possível decreto do presidente Jair Bolsonaro permitindo que as pessoas saiam de casa, o governador do Rio disse que se for preciso irá ao STF.

“Eventual edição de um decreto que venha flexibilizar o regime de distanciamento social poderá ser questionada no STF, que já deu demonstrações de que a crise é gravíssima. E no caso dos aeroportos, portos e da movimentação interestadual, o ministro Marco Aurélio deixou claro que entes federativos podem tomar suas decisões”.

Comércio

Mesmo com a recomendação de que bares e restaurantes funcionem com apenas 30% da sua capacidade, o governador insiste que as pessoas façam seus pedidos pelo telefone ou que façam a compra, mas deixem para consumir em casa.

“A orientação é que a pessoa faça o pedido e leve pra casa. E nós tomamos essa decisão entendendo que, de acordo com a curva que estamos acompanhando, é uma flexibilização”, comentou.

Os estabelecimentos comerciais que não respeitarem o decreto serão penalizados, segundo Witzel.

“A decisão recente do ministro Marco Aurélio determina que a decisão de cada estado deve ser observada. Nossa fiscalização está na rua. Se nós observamos que estabelecimentos comerciais não estão respeitando o decreto, nós vamos notificá-los, dar a oportunidade para que cumpram o decreto sob pena de serem responsabilizados civil, criminal e penalmente”.

Volta às aulas

Wilson Witzel falou ainda que discorda do prefeito Marcelo Crivella, que já sinalizou que pode liberar o retorno às aulas no dia 12 de abril.

“Como o ministro Mandetta falou na entrevista dele e o nosso secretário Edmar já disse, as crianças são vetores. Permitir que voltem para as suas casas poderá ser um fator de contaminação grande. Não é recomendável. Vou inclusive comunicar o prefeito Crivella que não deve tomar essa decisão. Estamos com a curva controlada, com condições de atender pacientes no CTI”.

Fonte: G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *