UENF desenvolve repelente e armadilha contra o mosquito da dengue

Nas últimas décadas, as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti têm se convertido num dos principais problemas de saúde pública do Brasil. A situação não é diferente em Campos dos Goytacazes, que apresenta o segundo maior índice de infestação do mosquito em todo o Estado. Só este ano, já foram contabilizados mais de 3 mil casos de chikungunya no município. O controle de  Aedes aegypti — que também transmite dengue, febre amarela e Zika — está na mira de pequisadores do Laboratório de Ciências Químicas do Centro de Ciência e Tecnologia da UENF (LCQUIS/CCT).

Coordenadas pelo professor Edmilson José Maria, as pesquisas resultaram na criação de dois produtos: a armadilha para mosquitos GrudAedes e a barra repelente Barrepel — esta já patenteada. Uma parceria com a Prefeitura de Campos dos Goytacazes possibilitou que, no ano passado, os dois fossem utilizados nas localidades de Beira do Taí, São Sebastião e Bela Vista, com bons resultados.

O GrudAedes é uma armadilha confeccionada sobre um papel cartão de cor preta, no qual é depositada uma película espessa de uma cola de longa duração, constituída de uma substância química chamada Cairomôneo. Esta substância é utilizada pela fêmea do mosquito para detectar a presença de seres humanos e animais. Atraído pelo Cairomôneo, ao pousar na armadilha o mosquito não consegue mais sair.

A Barrepel é constituída por uma mistura de substâncias sintéticas e naturais. Segundo Edmilson, as substâncias sintéticas também estão presentes nos repelentes comerciais: DEET (N’,N’-dietil-m-toluamida) e Icaridina. A diferença é que a barra possui também óleos essenciais como citral, citronelal e eugenol. A Barrepel custa menos que os repelentes convencionais e dura o dobro do tempo, além de outras vantagens: baixa concentração de substâncias ativas, não ocorrência de efeitos colaterais e eficácia contra uma ampla gama de mosquitos, insetos e carrapatos.

“A Barrepel é muito mais econômica do que os repelentes que a gente encontra no mercado. Isso é muito importante, pois o alto custo dos repelentes vem desencorajando sua utilização mais ampla entre a população mais carente”, diz Edmilson.

Ele observa que a associação do GrudAedes e da Barrepel tem a vantagem de dispensar o uso do fumacê (método muito utilizado pelas prefeituras, através do qual um carro dispersa inseticida pelas ruas). “O fumacê tem sua ação contestada por matar outros animais polinizadores que não transmitem dengue, Zika e chicungunya, além de provocar a resistência imunológica dos mosquitos, devido às aplicações sucessivas de altas doses, que passam a não surtir o efeito desejado”, afirma.

De setembro a novembro de 2018, foram instaladas cerca de 500 armadilhas nas localidades de Beira do Taí, São Sebastião e Bela Vista — locais escolhidos por apresentarem índices elevados do mosquito Aedes aegypti. Os pesquisadores desenvolveram também um aplicativo de smartphone, utilizado pelos guardas de endemia para registrar os dados coletados a casa visita. Com o registro do número de mosquitos capturados no aplicativo, é possível ter uma ideia, em tempo real, dos índices de infestação.

“A experiência mostrou que é viável aplicar este método em larga escala. Gostaríamos não só de retomar o projeto nessas localidades, como também ampliá-lo”, afirma.

Ascom*

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