Tribunal do impeachment não consegue encontrar empresário que confessou corrupção na Saúde do Rio

Apesar de ter procurado o Ministério Público Federal (MPF) em setembro para confessar a participação nos esquemas de desvios na Saúde estadual, o empresário e pastor Edson Torres ainda não foi encontrado para prestar depoimento ao tribunal misto que analisa o impeachment do governador afastado Wilson Witzel. Depois de três tentativas de intimar Torres a depor, o relator do processo, deputado Waldeck Carneiro (PT), solicitou nesta quinta-feira (07) que o tribunal acione sistemas nacionais de informações eleitorais, do Judiciário e de integração de informações em segurança para localizar o empresário.

Apontado como operador do Pastor Everaldo, preso desde agosto, o empresário Edson Torres procurou o MPF após a deflagração da Operação Tris in Idem, que culminou no afastamento do governador, para explicar como funcionava o esquema de corrupção que teria usado a máquina pública em proveito próprio. O depoimento embasou uma das denúncias apresentadas pelos procuradores contra Witzel no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo Torres, o grupo de Pastor Everaldo teria montado uma “caixinha da propina” que, entre janeiro de 2019 e julho de 2020 teria arrecadado vantagens indevidas no valor de aproximadamente R$ 50 milhões. O empresário contou que a propina era sempre exigida em espécie.

Diante dos detalhes e da profundidade dos relatos, o relator do impeachment classifica Edson Torres como testemunha chave do processo:

— É importante demais ouvi-lo. A minha disposição é de insistir nessa testemunha, desde que essa insistência não comprometa o nosso prazo. Considero muito estranho que não se consiga achar a pessoa assim — afirmou Waldeck.

Edson Torres foi incluído entre as testemunhas do processo a pedido do relator. Ele deveria ter sido ouvido no primeiro dia de oitivas do processo de impeachment, no dia 17 de dezembro. Como não foi encontrado, o tribunal abriu novo prazo, mas novamente não foi possível localizá-lo a tempo da sessão que ouviu mais testemunhas, no dia 28 de dezembro. Mesmo com a paralisação dos prazos do impeachment, o tribunal seguiu tentando intimar Torres. A última tentativa foi feita na última quarta-feira (06).

O Globo*

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