19/06/2024
Política

Simone Tebet é oficializada como candidata à Presidência pelo MDB

Apesar das resistências internas, o MDB oficializou a senadora Simone Tebet (MT) como candidata à Presidência da República pelo partido. Em convenção virtual, realizada nesta quarta-feira, a indicação foi aprovada com o aval da maioria dos diretórios da legenda. Foram 262 votos favoráveis à candidatura própria e apenas 9 votos “não”. Mais cedo, a federação formada por PSDB e Cidadania confirmou a aliança eleitoral com Simone, mas adiaram a escolha de um nome para a vice.

Votaram 182 delegados do partido — alguns têm direito a mais de um voto, por causa das funções que desempenham na sigla e se possuem cargo eletivo, por exemplo. Outros 97 delegados, porém, não votaram, como os integrantes dos diretórios de Alagoas e Paraíba.

— A candidatura da futura presidente do Brasil, Simone Tebet, teve aprovação de 97% da nossa convenção. Não percorremos o caminho mais fácil, não percorremos o caminho da velha política, do ‘toma lá, dá cá’, das negociações não republicanas. Não percorremos um caminho fácil, mas percorremos o melhor caminho — afirmou Baleia Rossi, presidente nacional do partido, ao comentar o resultado.

Ao se pronunciar mais cedo, ainda na reunião, Tebet argumentou que a candidatura própria ao Palácio do Planalto dará à sigla mais envergadura para eleger um número maior de postulantes ao Legislativo.

Quem são os pré-candidatos à Presidência em 2022

Com a declaração, a senadora tentou atrair os correligionários que vão concorrer a vagas no Parlamento, que costumam argumentar que o partido deveria investir os recursos de que dispõe para tentar aumentar suas bancadas no Congresso, em vez de apostar numa candidatura ao Executivo federal que soma 1% nas pesquisas, como Tebet.

— Em 2020, o Brasil viu o MDB continuar sendo a maior força política partidária do país, com o maior número de eleitos (para prefeituras). Agora temos condições de nos tornar gigantes. Estamos prontos para fazer o maio número de deputados estaduais, federais, senadores e governadores — afirmou ela em seu discurso.

O MDB realizou a convenção virtual e contratou uma plataforma para promover uma votação sigilosa. Às vésperas da convenção, emedebistas contrários à escolha de Tebet entraram na Justiça para tentar adiar o evento, sob argumento de que o sistema não garantiria o sigilo do voto. O pedido, porém, foi negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O partido tem 279 convencionais — entre delegados, parlamentares, prefeitos e integrantes do partido que têm direito à voto —, e o mesmo convencional pode ter direito a mais de um voto. Por isso foram 418 votos possíveis.

Por sugestão desses integrantes, a votação foi postergada por duas vezes: o resultado, antes previsto para sair até 14h, só foi divulgado após 16h20. O sistema de votação formava um tipo de fila virtual, o que fez com que o processo fosse mais lento.

Em Alagoas e na Paraíba, porém, os delegados optaram por não votar. Os diretórios locais são comandados por aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Renan Calheiros (AL) e Veneziano Vital do Rêgo (PB).

Apesar de a reunião ser virtual, o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, conduziu a convenção diretamente da sede do partido em Brasília. Durante a abertura, ele esteve acompanhado dos presidentes do PSDB, Bruno Araújo, e Cidadania, Roberto Freire, partidos que apoiam a candidatura de Tebet. Baleia destacou que os três partidos formam o “centro democrático”.

— Agora Simone carrega e represente a todos nós, nesse momento de esperança, de crença, de um país que busca firmar sue processo de democracia — afirmou Araújo ao destacar a união entre as siglas.

Escolha do vice

Os PSDB e o Cidadania formam uma federação partidária, e também fizeram sua convenção nacional nesta quarta. Cabe a eles a indicação do vice na chapa encabeçada por Tebet.

A preferência da senadora é pelo tucano Tasso Jereissati (CE), mas ele próprio tem admitido a aliados que vem perdendo o entusiasmo com a possibilidade de compor com a colega de Senado. O resfriamento da relação se deu, sobretudo, em virtude das dificuldades que tucanos e emedebistas têm tido para chegar a acordos em disputas estaduais. Na maioria dos casos, nenhuma das duas siglas abre mão de indicar o cabeça de chapa na corrida pelo governo local.

Um dos primeiros emedebistas a falar, o ex-ministro Carlos Marun admitiu que o partido chegava rachado à convenção:

— Não adianta tapar o sol com a peneira, o nosso MDB não chega unido a essa convenção, mas vamos tomar uma decisão por maioria.

O ex-presidente Michel Temer cumprimentou os companheiros de partido e Simone Tebet, desejando a ela sucesso na campanha. Ele clamou por pacificação nacional e exaltou feitos do próprio governo, como a reforma trabalhista:

— Precisamos ter coragem para defender as teses do que fizemos no governo.

Fonte: O Globo

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