Racha no PL do Rio: Altineu Côrtes fica com grupo de Jair Bittencourt e manda partido entregar cargos no governo Castro - Tribuna NF

Racha no PL do Rio: Altineu Côrtes fica com grupo de Jair Bittencourt e manda partido entregar cargos no governo Castro

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O racha que levou o PL a lançar duas candidaturas à presidência Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), marcada para esta quinta-feira, colocou em lados opostos o governador Cláudio Castro e o presidente estadual do partido, Altineu Côrtes, atual líder da sigla na Câmara dos Deputados. Nesta segunda-feira, a ala da qual Altineu faz parte entregou a Castro três secretarias na administração estadual: Agricultura, Educação e Ciência e Tecnologia. O motivo é a decisão de apoiar o deputado estadual Jair Bittencourt (PL) contra o nome preferido do governador, Rodrigo Bacellar (PL), atual secretário de Governo, informa O Globo.

A decisão de colocar os cargos à disposição de Castro foi tomada nesta segunda, mesma data em que Bittencourt, atual secretário de Agricultura, reuniu-se com o governador e comunicou sua decisão de sair candidato. Aliados de Bacellar já cobraram sua exoneração.

O movimento de Bittencourt recebeu apoio de Dr. Serginho, deputado estadual integrante da ala bolsonarista do PL, e que havia sido nomeado por Castro para a pasta de Ciência e Tecnologia; e de Altineu, que tinha apadrinhado a indicação de Patrícia Reis para a secretaria estadual de Educação, antigamente ocupada por outro aliado, Alexandre Valle.

Nos bastidores, o governo considera que conseguirá contornar a crise e manter a base unida após a eleição na Alerj, mas os deputados que endossaram a candidatura de Bittencourt tratam como irreversível o racha com Bacellar, e consideram natural a perda dos cargos se Castro mantiver sua preferência.

– Ele é o governador e faz o que achar que deve fazer. Se ele quiser ocupar os espaços de quem está divergindo, ele ocupa. Ninguém do PL está contra o governo, mas também não estamos aqui por cargos, nem para passar por falta de respeito ou humilhação – disse Altineu ao GLOBO.

A insatisfação de integrantes do PL com Bacellar, que ingressou no partido no ano passado para acompanhar a filiação de Castro, atingiu seu ápice com a movimentação do deputado para indicar Rodrigo Amorim (PTB) à presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A principal comissão da Casa, pela qual passam praticamente todos os projetos de lei, tradicionalmente fica com o partido de maior bancada – no caso, o próprio PL, que elegeu 17 deputados de um total de 70 que integram a Alerj. A cúpula do PL fluminense considerou a escolha de Amorim um “escândalo político”, motivado por uma “proximidade pessoal” com Bacellar.

Amorim, embora seja o único deputado do PTB, foi insuflado por um bloco de 13 deputados formado por aliados de Bacellar de oito partidos. O movimento também irritou o União Brasil, segunda maior bancada da Alerj, com oito deputados, que considerou o bloco dos “nanicos” uma tentativa de Bacellar de driblar a preferência da sigla por comissões e vagas na Mesa Diretora.

– Não somos oposição ao governador. Foi uma conversa civilizada. Estamos alertando há tempos que a postura do Bacellar está levando o governo ao caos. Ele (Castro) tenta resolver, mas o Bacellar vai lá e descumpre tudo depois – relatou Bittencourt após comunicar a Castro sua candidatura.

Aliados da candidatura alternativa do PL, que conta com apoio de parte do União Brasil, do PSD e do PT, miram agora o apoio do PSOL, que tem cinco deputados. Na avaliação deste grupo, os votos de partidos de esquerda – incluindo PSB, PDT e PCdoB, que somam outros cinco parlamentares – serão decisivos para a eleição da Alerj, em que pesem as resistências ao PL por ser o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O próprio PT havia sinalizado com um apoio a Bacellar no fim de 2022, mas a aliança começou a ruir depois que o partido foi ignorado em seu pleito para assumir a primeira-secretaria da Alerj, considerado um cargo estratégico por gerir recursos da Casa. O partido pretendia emplacar Andrezinho Ceciliano, deputado eleito e filho do atual presidente da Alerj, André Ceciliano, que está encerrando o mandato. Posteriormente, Bacellar acenou com uma das quatro vice-presidências ao PT, mas lideranças do partido consideram que houve quebra de confiança porque o candidato governista “promete o mesmo cargo para mais de uma pessoa”.

Bacellar deve manter o apoio de uma parte da bancada do PL. Na segunda-feira, ele recebeu o endosso dos deputados Dr. Deodalto e Valdecy da Saúde, ambos do PL, e de Val Ceasa (Patriota). Quem também promete apoio é o MDB, do ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis, cujo irmão, Rosenverg, foi indicado por Bacellar para a primeira-secretaria em sua chapa. Reis criticou a candidatura de Bittencourt.

– Provavelmente o governador vai substituí-lo na secretaria, mas acredito que o próprio Jair tem condições de retirar seu nome (da eleição na Alerj). É uma candidatura para perder e para romper com o governador, porque o cálculo dele (de votos) está errado – afirmou Reis.

Fonte: O Globo

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