Propina paga a alvo de operação da Lava Jato RJ foi escondida em caixa de gravata, segundo MPF

Procuradores do Ministério Público Federal (MPF) descobriram que pagamentos de propina entre alvos da Operação Dardanários, deflagrada nesta quinta-feira (6), foram entregues dentro de caixas de gravatas – conforme mostra a foto acima.

A ação mirou desvios na área da saúde envolvendo órgãos federais e, segundo a Polícia Federal, foi identificado um “conluio entre empresários e agentes públicos que tinham por finalidade contratações dirigidas”.

Um dos presos na operação foi Alexandre Baldy, atual secretário estadual de Transportes Metropolitanos de São Paulo. Baldy foi detido por suspeita de fraudes em contratos da área de saúde nos períodos em que ele foi deputado federal e ministro das Cidades do governo do ex-presidente Michel Temer.

O pagamento de propina em um embrulho para gravatas, segundo os procuradores, foi feito por Edson Giorno a Rodrigo Dias em uma charutaria em São Paulo. Outra quantia foi entregue em um hotel em Brasília, de acordo com relato do MPF.

Rodrigo Dias, de acordo com a investigação, foi indicado por Baldy na Funasa (Fundação Nacional da Saúde). Já Edson Giorno e outros dois alvos trabalhavam na organização social Pró-Saúde.

Para o MPF, há elementos na apuração que provam que Baldy usou os cargos de secretário de Comércio do Estado de Goiás, e de ministro de Estado das Cidades, para pedir e receber, com a ajuda de Rodrigo Dias, “vantagens indevidas da organização social Pró-Saúde”.

Os procuradores sustentam que tais vantagens foram “custeadas pelos cofres públicos do Estado do Rio de Janeiro”.

Balanço de prisões da operação

  • Alexandre Baldy (preso)
  • Guilherme Franco (preso)
  • Rafael Lousa (preso)
  • Carlos Augusto (foragido)
  • Izidio (foragido)
  • Rodrigo Dias (foragido)

Dardanários

Além de Alexandre Baldy, a força-tarefa da Lava Jato também conseguiu prender outras duas pessoas na Operação Dardanários: o pesquisador da Fiocruz Guilherme Franco Netto e o ex-presidente da Junta Comercial de Goiás (Juceg) Rafael Lousa.

Resumo:

  • Alexandre Baldy, que foi deputado federal por Goiás e ministro das Cidades no governo do ex-presidente Michel Temer, é apontado por atos suspeitos antes de assumir a pasta no governo de São Paulo.
  • Segundo a investigação, Baldy usou da influência dos dois cargos para intermediar contratos, sobre os quais ganharia um percentual.
  • A TV Globo apurou que, entre os contratos investigados, estão o de organizações sociais (OSs) com o Hospital de Urgência da Região Sudoeste Dr. Albanir Faleiros Machado (Hurso), em Goiás; com a Junta Comercial Goiana e com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa/Fiocruz).
  • Baldy ainda teria oferecido vantagem a um colaborador para não entregar o esquema.
  • As prisões do secretário na cidade de São Paulo, do pesquisador em Petrópolis (RJ) e do ex-presidente da Juceg em Goiânia são temporárias. O prazo é de cinco dias, mas pode ser prorrogado.

A assessoria de Baldy negou que ele tenha participado das irregularidades e que a prisão foi “desnecessária”. A Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM) divulgou nota em que ressalta que “a operação não tem relação com a atual gestão do Governo de São Paulo”.

O advogado de Rafael Lousa, Tadeu Batos informou que o cliente “não tem nenhum envolvimento com qualquer irregularidade em relação à contratação”. (Leia mais ao final da reportagem)

R$ 90 mil apreendidos em cofres

Em endereço ligado a Baldy em Brasília, os agentes apreenderam R$ 90 mil em dois cofres. Já no apartamento dele em Goiânia, a PF apreendeu um cofre, que não chegou a ser aberto, e um tablet.

Atualmente, Baldy é responsável pelo metrô paulistano e pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Ele foi preso em casa, no bairro dos Jardins.

Portador delatou o esquema

As investigações contaram com a delação premiada de uma pessoa ligada à Pró-Saúde.

A entidade, na ocasião, administrava o Hurso (Hospital de Urgência da Região Sudoeste), em Goiás, e teria valores a receber — não se sabe de quem. A TV Globo apurou que Baldy teria recebido propina da Pró-Saúde para ajudar na liberação desse montante.

A propina, paga em espécie, teria saído do caixa 2 da entidade, que tinha à época como principal fonte os contratos do RJ.

O que dizem os envolvidos e citados na reportagem

  • Em nota, a assessoria de Alexandre Baldy informou que ele tem a sua vida pautada pelo trabalho, pela correção e pela retidão. Segundo a nota, foi desnecessário e exagerado determinar uma prisão por “fatos ocorridos em 2013” e que ele “sequer participou”. Além disso, a defesa informou que deve tomar providências para a revogação da prisão.
  • Secretaria de Transportes Metropolitanos informou que “colaborou junto à PF enquanto estiveram no prédio”. “Após as buscas, nenhum documento ou equipamento foi levado pela Polícia Federal”, informou a nota da pasta do governo de São Paulo.
  • O governador de São Paulo, João Doria, disse que as acusações contra Alexandre Baldy não têm relação com a atual gestão dele na Secretaria de Transportes Metropolitanos e que tem convicção de que Baldy saberá esclarecer os acontecimentos e colaborar com a Justiça.
  • advogado de Rafael Lousa, Tadeu Batos informou que o cliente “não tem nenhum envolvimento com qualquer irregularidade em relação à contratação”. “Ele fez todos os esclarecimentos e respondeu a todas as perguntas, apresentou as senhas dos celulares, não deixou nada em dúvida em relação à sua atuação como presidente da Junta Comercial, esclarecendo todos os pontos apresentados pelo delegado”, complementou.
  • A direção do Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH), responsável atualmente pela administração do Hurso, informou por meio de nota que “na época da investigação do esquema, a organização Social responsável era a Pró-Saúde”.
  • A Pró-Saúde informou que, “desde 2017, tem colaborado de forma irrestrita com as investigações e vem adotando ações para o fortalecimento de sua integridade institucional”.
  • Juceg afirmou, por meio de nota, que tratam-se de contratos firmados em gestões anteriores, datados do anos de 2013. A entidade “esclarece ainda que não foi alvo de nenhum mandado por parte da PF e tampouco por parte do MPF na data de hoje e que há, em vigência, desde 2019, quando a nova gestão do governo de Goiás assumiu, 25 contratos atuais com empresas, nenhuma delas citadas na operação”. A Juceg complementou que a sua atual gestão “não coaduna com direcionamento de contratos ou qualquer outra atividade ilícita”
  • A reportagem entrou em contato com a Fiocruz, mas não havia obtido resposta até por volta de 12h30.

Seis mandados de prisão e 11 de busca e apreensão

O juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do RJ, expediu seis mandados de prisão e 11 de busca e apreensão, que deveriam ser cupridos em Petrópolis (RJ), São Paulo, São José do Rio Preto (SP), Goiânia e Brasília.

A operação é um desdobramento das investigações realizadas no âmbito das operações Fatura Exposta, Calicute e SOS.

Os suspeitos responderão pelos crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Segundo a PF, dardanários são agentes ‘de negócios’, atravessadores que intermediavam as contratações dirigidas”.

G1*

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