Principal contratante, Construção Civil do Norte Fluminense sofre com falta de matérias-primas

Um ano após o início da pandemia, seis a cada dez indústrias fluminenses ainda têm dificuldade para compra de insumos e matérias-primas nacionais e importados, ainda que pagando mais caro por eles. O dado é da Sondagem Industrial Especial: Fornecimento de Insumos e Matérias-primas no Estado, realizada pela Firjan em fevereiro deste ano. Em Campos, um dos vários setores afetados é o da Construção Civil, justamente um dos principais contratantes no início deste ano.

“Este problema nacional e até mundial atinge diversos setores da economia, mas aumenta a nossa preocupação o fato de afetar a Construção Civil por conta da empregabilidade do setor, num momento já tão difícil para todos”, destacou o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira.

Uma das soluções paliativas dos empresários de Construção Civil tem sido investir em estoques, o que aumenta os custos e dobra a necessidade de fretes, por exemplo. Segundo Gilberto de Souza Manhães, dono de uma construtora em Campos, algumas matérias-primas, principalmente derivadas do aço, chegam a demorar quatro meses para serem entregues.

“Além da falta dos produtos, há ainda o aumento de preço: vergalhão, cimento e até parafuso subiram absurdamente desde julho do ano passado”, conta Gilberto. “Antes você pedia e chegava em uma semana, dez dias. Hoje demora 60, 90 ou até 120 dias. Com isso é preciso manter os estoques num galpão, o que gera custos, e ainda exige um novo frete do galpão até a obra”.

Indústria vinha numa crescente

Historicamente, a Construção Civil é a mola propulsora da geração de empregos, o que se repetiu mesmo durante a pandemia. Em fevereiro, dados da plataforma Retratos Regionais da Firjan mostram Macaé e Campos entre os 10 maiores contratantes da Indústria e Construção em todo o Estado – respectivamente, em segundo e nono colocados. E a principal atividade foi justamente obra de atividade industrial.

No saldo geral de empregos, Macaé ocupou até fevereiro a terceira colocação geral do Estado, com saldo de 889 vagas abertas, sendo Indústria e Construção a principal contratante. Já Campos, que ocupou a quarta colocação geral do Estado, teve um saldo positivo de 513 novas vagas. Comércio (+315) e Indústria e Construção (130) foram as principais contratantes. Os dados foram compilados pela Firjan a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia.

Pessimismo aumenta

Em relação a outubro de 2020, as dificuldades são menos intensas. No entanto, a expectativa de normalização é mais pessimista. No ano passado, a maior parte dos industriais fluminenses acreditava que a oferta seria regularizada até o segundo trimestre de 2021. Hoje, mais da metade acredita que a situação só estará normalizada a partir do terceiro trimestre.

A Firjan ressalta que a pesquisa foi realizada antes das novas medidas restritivas para conter o avanço do Coronavírus em diversos estados. Dessa forma, considera que a escassez de insumos e matérias-primas pode se agravar e ser um entrave para a recuperação da atividade industrial.

Ascom Firjan*

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