Polícia Civil prende cinco suspeitos de integrar milícia de Orlando Curicica

A Polícia Civil e o Ministério Público do RJ miram nesta sexta-feira (31) a milícia de Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica.

Até as 7h50, cinco pessoas foram presas na Operação Entourage, que tenta cumprir 30 mandados de prisão. Curicica está detido em um presídio federal.

Dos cinco presos, dois são PMs. Um dos procurados é o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha.

Ferreirinha foi apontado pela Polícia Federal como o responsável por atrapalhar a investigação da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

O nome de Orlando Curicica, na época um dos suspeitos de ser o mandante do atentado, foi apontado como responsável por vários crimes praticados por milicianos na Zona Oeste.

A quadrilha de Orlando é suspeita de dominar sete comunidades na região de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.

Entre os alvos desta sexta, estão quatro PMs, entre eles Ferreirinha, e um bombeiro.

O policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha — Foto: Reprodução

O policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha — Foto: Reprodução

Equipes deixaram a Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, por volta das 5h20.

A operação Entourage, como está sendo chamada, foi montada para desarticular uma das maiores milícias que atua na Zona Oeste do Rio, de acordo com policiais.

A ação conta com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MPRJ, das Corregedorias da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros e do setor de inteligência da Seap.

O grupo comandado por Orlando Curicica é, de acordo com as investigações, apontado por dominar as comunidades de Curicica, Terreirão, Boiúna, Santa Maria, Lote 1000, Jordão e Teixeiras, no bairro de Jacarepaguá.

As investigações da Delegacia de Homicídios da Capital revelaram que o grupo explora ilegalmente serviços como transporte, lazer, alimentação e segurança dessas comunidades através da cobrança de taxas. A quadrilha explora ainda a grilagem de terras nessas regiões.

As associações de moradores também seriam dominadas por esses grupos, segundo os policiais.

A investigação mostra ainda que a milícia atua com violência, o que inclui a execução de testemunhas e tentativas de homicídio de autoridades responsáveis pelas investigações. Os membros dessa quadrilha fazem imperar a “lei do silêncio” entre os moradores da localidade em que exercem o controle criminoso.

O MPRJ informa que a expansão do grupo na região ocorreu entre 2015 até o final de 2017, na área de Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes.

Na denúncia apresentada pelo MPRJ ao 2º Tribunal do Júri está detalhada a função de cada integrante da milícia de Orlando Curicica por “clara estruturação e divisão de tarefas”:

  • Os chefes – Entre eles, Orlando Curicica seguido de William da Silva Sant’anna, conhecido como William Negão;
  • Seguranças – Designados para a proteção pessoal dos chefes do bando
  • Soldados – Responsáveis por defender o território
  • Cobradores – Que recolhem o dinheiro de moradores e comerciantes
  • Vendedores de armas e cigarros
  • Olheiros – Que observam a movimentação nas comunidades
  • Falsificadores – Designados para clonagem e receptação dos veículos usados pelos integrantes da quadrilha

A organização é caracterizada por clara estruturação e divisão de tarefas, nos quais havia os membros incumbidos da gestão do esquema criminoso; os seguranças designados para a proteção pessoal dos chefes do bando; os responsáveis pelas áreas dominadas; os soldados; os cobradores ou recolhedores; os vendedores de armas de fogos e cigarros; os olheiros; e os incumbidos da clonagem e receptação dos veículos usados por seus integrantes.

Depoimento contestado

Durante meses, Ferreirinha foi considerado a principal testemunha do Caso Marielle. O PM é ex-aliado de Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando Curicica, a quem acusou de tramar o atentado, ao lado do vereador Marcello Siciliano. Ambos sempre negaram envolvimento.

A PF afirma que o PM criou uma história com a finalidade de confundir as autoridades – e aproveitou a trama para se vingar.

Em março, a TV Globo mostrou com exclusividade o depoimento da advogada de Ferreirinha à PF. Camila Nogueira disse que desconfiava da versão apresentada pelo cliente e que se sentiu usada.

A advogada esclareceu que “essa criação de Rodrigo Ferreira e a manipulação com os policiais civis que fez com ela foi mais um dos fatos que levaram a declarante a ter medo de ficar nessa situação”.

G1*

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