19/07/2024
Política

Pedreiro se passou por empreiteiro e recebeu mais de R$ 3 milhões da Prefeitura de Arraial do Cabo, diz polícia

A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que um dos investigados na operação Toque de Caixa, era pedreiro e foi “laranja” na organização suspeita de desviar mais de R$ 6 milhões da Prefeitura de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio.

De acordo com a polícia, Jerry Anderson de Araújo Silva era contratado como auxiliar de serviços gerais na Prefeitura com o salário de R$ 1 mil.

A Polícia Civil informou que ele se apresentou como dono da empreiteira, a ATLANTIC, e assinou vários contratos, dois deles com dispensa de licitação e recebeu do município mais de R$ 3 milhões e meio, entre os anos de 2018 e 2020.

Segundo as investigações, a empresa foi constituída poucos meses depois do grupo político de Marquinhos de Nicomedes, preso durante a operação, assumir o poder e, em três meses, começaram a receber verbas do município.

“Esses repasses tiveram um aumento impactante no último ano de governo. Na reta final do mandato de Renatinho Vianna, a Atlantic recebeu mais de R$ 2,7 milhões. Praticamente toda esta verba partiu do Fundo Municipal de Saúde, sob responsabilidade dos ex-secretários de Saúde Antonio Carlos de Oliveira, conhecido como Kafuru, e Paulo Roberto Trípoli Fontes, também denunciados,” disse a Polícia Civil.
Outra empresa de fachada, que segundo a polícia, também pertence a Marquinhos de Nicomedes, a M.A.F. DO NAZARETH INCORPORAÇÃO E CONSTRUTORA, também foi usada no esquema que também firmou contratos com a Prefeitura de Arraial do Cabo, para a realização de obras no Posto de Saúde da Figueira e a do Posto de Saúde Hermes Barcellos.

O empresário Marcos Antônio Ferreira do Nazareth, o Marquinho de Nicomedes, foi preso em operação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro, na terça-feira (18).

O advogado de defesa do empresário, Dr. Vitor Tocci, disse que “os contratos firmados entre a empresa de Marquinhos e o município de Arraial do Cabo foram celebrados dentro dos limites da legalidade, conforme será prontamente demonstrado nos autos. Além disso, será evidenciado que a motivação da prisão foi puramente política”.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, os alvos do mandado de prisão e dos 12 de busca e apreensão são integrantes de uma organização criminosa que desviou dinheiro a partir do pagamento por obras e serviços não executados. A operação é alvo de uma investigação da Polícia Civil que durou quatro anos.

A Operação “A Toque de Caixa” denunciou dezenove pessoas à Justiça pelos crimes de falsidade ideológica, peculato, corrupção ativa e passiva, ordenação de despesa não autorizada, falso testemunho e lavagem de dinheiro.

O g1 tenta contato com a defesa dos alvos.

Como funcionava o esquema

De acordo com a Polícia Civil, o suspeito preso, abriu duas empresas, por orientação de políticos, já com o intuito de serem usadas em contratos com a Prefeitura.

“Quando Renatinho Vianna, que é aliado político e amigo de infância de Nicomedes, assumiu a Prefeitura de Arraial, as empresas de Nicomedes passaram a assinar vários contratos de obras com o município (mais de 30). Só que a Prefeitura começou a pagar ilegalmente por obras que não tinham sido executadas, inclusive, pagando aditivo de contrato sem justificativa e pagando por itens que sequer tinham sido contratados”, disse a Polícia Civil.

Ainda de acordo com a polícia, faltando uma semana para o fim do mandato, os pagamentos foram acelerados, sendo enviados milhões de reais para as contas das empresas de Nicomedes. “Dinheiro que, depois, voltou em forma de propina e foi distribuído entre os integrantes da quadrilha”, disse.

A polícia informou que é por isso que todos os denunciados vão responder, entre outros crimes, por lavagem de dinheiro.

“As investigações mostraram também que as empresas eram de fachada; não tinham nenhuma estrutura para atender a contratos de município. Além disso, todos os contratos, documentos, processos de licitação, comprovantes de pagamento envolvendo essas obras desapareceram do arquivo da Prefeitura”, afirmou a Polícia Civil.

Fonte: G1

Alerj

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