19/06/2024
Brasil

Negros ganham menos e sofrem mais com a violência, indicam estudos

Às vésperas do Dia da Consciência Negra (20 de novembro), ainda existe um grande abismo a ser superado no Brasil quando o assunto é igualdade racial. Passados 134 anos da Abolição da Escravidão, a exclusão econômica e social a que a população negra foi submetida durante séculos produziu efeitos perversos que podem ser percebidos até os dias de hoje.

Segundo o estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça”, produzido em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os negros são 64% dos trabalhadores desempregados no país e ganham 59,2% do salário médio recebido por pessoas de cor branca. No grupo das 500 maiores empresas do Brasil, eles ocupam apenas 4,7% do quadro executivo.

– Na própria Petrobrás, quando você lista os cargos de gerência, observa que são poucos os negros – diz o gerente do Departamento de Saúde e Segurança do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), Sérgio Borges Cordeiro. Em sua opinião, a sociedade, as empresas, os sindicatos, as igrejas, o Estado brasileiro e as instituições que o compõem foram estruturados a partir da visão escravista, que ainda persiste, mesmo que muitos não percebam.

Negros e pardos também sofrem mais com a violência do que a população branca. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que 72,6% das pessoas assassinadas no Brasil em 2020 eram negras. Nesse mesmo ano, as mulheres negras foram 61,8% das vítimas de feminicídio. Os negros também foram maioria (78,9%) entre as pessoas mortas por policiais.

Borges admite que já foi vítima de preconceito racial várias vezes ao longo da sua vida. Segundo ele, os desafios são enormes, mas precisam ser enfrentados, porque o racismo é uma luta de toda a sociedade. Segundo ele, o momento é propício para o debate, pela recente eleição de um governo que dialoga com os trabalhadores, o povo preto e a parte mais pobre da população.

– Isso passa por entender de onde a gente veio, o que a gente é e o que a gente quer. A solução vem da organização da população preta, do movimento negro, da ocupação dos partidos, da disputa por espaços de poder. Só assim vamos mudar essa realidade”, comenta o diretor do Sindipetro-NF, citando também a importância de levar a história da população negra para as salas de aula.

Ato cultural contra o racismo em Macaé

Para marcar o Dia da Consciência Negra, o Departamento de Cultura do Sindipetro-NF vai promover um grande evento na próxima terça-feira, dia 22, em sua sede de Macaé. Haverá apresentação da DJ Lewá e da cantora Kynnie Williams. Em paralelo, funcionará uma feira para que empreendedoras negras possam mostrar seu trabalho. Também haverá comidas típicas, falas e um grande debate sobre a importância da data.

– O Dia da Consciência Negra é um dia a ser celebrado, é uma conquista popular. Não é um dia único de luta, porque a luta contra o racismo tem que ser contínua. Mas é importante lembrar a contribuição das pessoas pretas para a qualidade da nossa arte e cultura – comenta Bárbara Bezerra, diretora do Sindipetro-NF. Segundo ela, todo ato cultural é também um ato político.

As inscrições para o evento devem ser feitas no site www.sindipetronf.org.br.

Mais detalhes no link abaixo: https://www.jornalesportesaude.net/post/sindipetro-nf-celebra-dia-da-consci%C3%AAncia-negra-com-grande-evento-cultural-na-pr%C3%B3xima-ter%C3%A7a-feira-22

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