MPRJ cumpre mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário Raphael Montenegro e ex-dirigentes da Seap

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO/RJ), com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), realiza nesta quinta-feira (21/10), operação para o cumprimento de três mandados de busca e apreensão para instruir investigação contra o ex-secretário Raphael Montenegro Hirschfeld, e outros dois integrantes da antiga administração da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Os elementos colhidos durante a operação serão juntados ao Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que apura se o ex-secretário recebeu vantagem ilícita para autorizar a soltura, do Complexo Penitenciário de Gericinó, de uma das lideranças do Comando Vermelho, Wilton Carlos Rabelo Quintanilha, conhecido como “Abelha”, no último mês de julho. Os mandados foram expedidos pela 42ª Vara Criminal da Capital.

No documento encaminhado à Justiça para a solicitação dos mandados, o GAECO/MP explica que, ao ser posto em liberdade, no último dia 27 de julho, “Abelha” possuía contra si um mandado de prisão preventiva expedido pelo III Tribunal do Júri da Capital (autos n.º 0171637-16.2020.8.19.0001), cujo teor havia sido expressamente comunicado à Seap 12 dias antes, bem como constava no sistema de Distribuição e Controle de Processos do Tribunal de Justiça desde o dia 14 de julho. Imagens obtidas pela investigação, com autorização da Vara de Execuções Penais, mostraram “Abelha”, logo após ser posto em liberdade, caminhando pelas vias públicas próximas ao Complexo de Gericinó, quando dele se aproximou o veículo Toyota Hilux SW4, de placa RJU3G91, escoltado por outro veículo. O ocupante do banco carona dianteiro o cumprimentou na ocasião, havendo informes indicando que este cumprimento partiu de Raphael.

Além disso, apurou-se que Raphael, o então subsecretário de Gestão Operacional da Seap, Wellington Nunes da Silva, e o então superintendente da Secretaria, Sandro Farias Gimenes, estiveram na comunidade da Mangueira no dia seguinte à soltura de “Abelha”, tendo sido recebidos pelo próprio líder do Comando Vermelho, havendo registros fotográficos do encontro. Informações colhidas durante as investigações também indicaram que os três ex-dirigentes habitualmente visitavam “Abelha” no Instituto Penal Vicente Piragibe, onde permaneciam em horários após o expediente. E, conforme amplamente divulgado pela imprensa, no dia 24 de julho, dias antes de sua soltura, “Abelha” comemorou seu aniversário dentro do Instituto Penal Vicente Piragibe, quando teria sido indevidamente autorizado o ingresso de alimentos normalmente proibidos aos presos em geral, denotando o tratamento diferenciado que a então cúpula da Seap prestaria às lideranças do Comando Vermelho detidas no local.

Com esse objetivo, os agentes do GAECO/RJ e da CSI/MPRJ cumprem os mandados de busca e apreensão na sede administrativa da Seap, no Centro, na sede administrativa do Complexo de Gericinó e no Instituto Penal Vicente Piragibe, para a obtenção de elementos que auxiliem as investigações.

Por MPRJ

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