MPF vai denunciar Rodrigo Neves por quadrilha, corrupção, fraude a licitação e estelionato

“O prefeito (Rodrigo Neves) desde que assumiu o governo de Niterói, em 2013, adotou um modelo de gestão que era totalmente direcionado para atender aos seus”. A afirmação é do procurador regional da República Carlos Alberto Gomes de Aguiar, ao EXTRA, na tarde desta quarta-feira, horas após o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal deflagrarem uma operação contra o prefeito de Niterói, dois de seus assessores e cinco empresários. Aguiar afirmou que vai denunciar ainda esta semana o prefeito, o cineasta Renê Sampaio e mais cinco pessoas pelos crimes de quadrilha, corrupção, fraude a licitação e estelionato.

Rodrigo Neves é acusado pelo MPF de ser o responsável por fraudes a licitações nas obras da Transoceânica Charitas-Engenho do Mato — que ficou R$ 34 milhões mais cara do que o previsto — e em contratos de publicidade firmados pelo governo municipal. O prefeito vinha sendo investigado há mais de dois anos. Na operação desta quarta-feira, a Polícia Federal apreendeu celulares e computadores do prefeito, segundo Aguiar.

— Essa é uma investigação que está conosco há algum tempo e que reuniu uma série de informações, como: colaborações premiadas, auditorias feitas pelo Tribunal de Contas (do Estado, em contratos firmados na gestão de Neves) etc. Buscamos fechar um quebra-cabeça que acabou demostrando esse esquema (criminoso) — contou o promotor Carlos Alberto Gomes de Aguiar.

Para o MPF, antes mesmo de sentar na cadeira Rodrigo Neves “criou um ambiente para fraudar licitações e direcionar contratos públicos”.

— Nesse contexto, ele construiu um ambiente para fraudar licitações, (como) contratar os sócios da Prole (empresa de publicidade) que pertencia às mesmas pessoas que fizeram a campanha publicitária dele nas eleições de 2012 e, ao mesmo tempo, praticamente no mesmo contexto ele também criou condições para direcionar licitação que, depois, foi vencida pelo consórcio que fez a Transoceânica — destacou o procurador federal.

As obras da Transoceânica Charitas-Engenho do Mato começaram em 2017 e tinham um custo inicial de R$ 310 milhões. Mas, a Prefeitura de Niterói fez 17 aditivos no contrato, que passaram de R$ 70 milhões — que não estava previsto no orçamento.

Licitação cancelada
Para o MPF, antes mesmo de assumir Neves já havia decidido quem faria a obra. Após assumir a prefeitura, Neves cancelou a licitação do consórcio Via Oceânica. Antes de chegar ao comando da cidade, Rodrigo Neves disse que iria fazer a obra com recursos com governo federal. Para os procuradores, Neves atuou para beneficiar a Constran S/A e a Carioca Engenharia, “direcionando para eles o lucrativo contrato com a implantação do BRT Transoceânica”. Isso teria acontecido em contrapartida às doações que as empresas fizeram para a campanha de atual prefeito, ainda quando ele concorreu para vereador.

— A obra seria feita pela concessão pública. Aproveitando da aproximação com o governo federal na época, (Neves) obteve recursos para fazer a obra. Isso daí é legitimo, nada a dizer. Mas, aproveitando dessa estratégia, ele fez daquilo, que poderia ser um bom exemplo de gestão, uma oportunidade para se beneficiar e beneficiar as empresas que o financiavam. Ele pegou uma obra desse tamanho e disse: “toma, faz (porque) você me ajudou lá atrás”. Ele não poderia fazer isso. Tanto que ele preferiu outras empresas. O consórcio anterior entrou com uma medida judicial para anular (a decisão do prefeito) e acabou sendo indenizado. O dinheiro público acabou sendo gasto irregularmente porque o prefeito usou da estratégia exatamente ilegal — afirmou Carlos Aguiar, que complementa: — O cidadão de Niterói foi prejudicado várias vezes. Houve uma contratação indevida da Prole, com um contrato que perdurou até 2017 com valores superfaturados e, muitas das vezes, tem uma razão plausível. Afinal de contas, o que se mostrou é que o material produzido servia apenas para promoção do prefeito. O fato de o consórcio (que ele desistiu de deixar fazer as obras da Transoceânica) ter recebido cerca de R$ 5 milhões. Além de uma subcontratação de uma empresa que prestaria um suposto serviço de assessoria de imprensa. A empresa recebeu em torno de R$ 7 milhões e, no fim das contas, os representantes legais dessa empresa acabaram atuando na própria campanha do prefeito. Ou seja, montaram outra empresa só para fugir da transferência e fazer a campanha interessados em dinheiro público em benefício privado.

O MPF garante que Neves usou do cargo em benefício próprio e que “o comportamento do prefeito ao longo dos seus dois mandatos foi criminoso”.

— O trabalho do TCE teve uma importante contribuição para a nossa investigação. Eles fizeram uma minuciosa análise tanto nas licitações, quanto na execução e constataram que houve muitas irregularidades – que estamos apontando nessa investigação.

Fonte: Extra

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