MPF investiga se ‘Rei Arthur’ deu propina a delegado em troca de proteção em investigações

O Ministério Público Federal investiga se o delegado Ângelo Ribeiro de Almeida Júnior foi subornado pelo empresário Arthur Soares, o Rei Arthur, dono dos maiores contratos com a gestão do ex-governador Sérgio Cabral.

A suspeita é que Ângelo tenha recebido R$ 2 milhões para abrir um restaurante e, em troca, beneficiar Arthur em inquéritos tributários da Delegacia Fazendária, da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

O jornal O Globo revelou a investigação. O RJ2 também teve acesso a informações da investigação contra Ângelo Ribeiro.

O restaurante hoje está fechado, mas a história da abertura da franquia francesa L’ Entrecot de Paris, em Ipanema, na Zona Sul do Rio, levou a força-tarefa da Lava Jato a desconfiar de como a marca chegou ao Rio.

Os procuradores suspeitam que tudo começou com o interesse de Arthur em barrar investigações contra ele na Delegacia Fazendária da Polícia Civil, que apura crimes contra a administração pública. Na ocasião, o delegado era Ângelo Ribeiro.

Em um documento encaminhado à Justiça, um dos sócios de Arthur Soares afirma em delação que houve negociações com o delegado para o empresário ser beneficiado nos inquéritos.

O delator, Ricardo Siqueira Rodrigues, ex-sócio de Arthur Soares, disse que o delegado Ângelo foi procurado pelo advogado Danilo Botelho, filho do procurador aposentado Astério Pereira dos Santos, ex-secretário nacional de Justiça, durante o governo do presidente Michel Temer. Astério foi preso na quinta-feira (5).

Na mesma operação, a Justiça determinou busca e apreensão na casa do delegado Ângelo.

Em sua decisão, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio diz que, segundo a delação, “Ângelo e Danilo iniciaram um empreendimento com a finalidade de escamotear o pagamento de propina ao delegado”.

O delator disse que soube do próprio Arthur Soares que ele emprestou R$ 2 milhões para a abertura do restaurante. Um dos sócios do restaurante era Danilo Botelho. Outra sócia é a mulher do delegado Ângelo, Renata Andriola de Almeida.

O delator afirma que ainda não acreditou que o empréstimo seria pago, porque, na verdade, segundo ele, era pagamento de vantagens indevidas para que os inquéritos contra o Rei Arthur não fossem concluídos.

O juiz Marcelo Bretas registra que foram encontradas mensagens eletrônicas entre Ângelo Ribeiro e uma pessoa indicada por Arthur Soares sobre a saída do delegado da Delegacia Fazendária. Além do suposto auxílio que o Arthur poderia dar para um novo cargo.

O jornal O Globo informa que, ao deixar a unidade, em fevereiro de 2016, o delegado foi nomeado para um cargo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), no gabinete de Jorge Picciani, denunciado por corrupção pela Lava Jato e que se encontra em prisão domiciliar.

O que dizem os citados

Em nota, o delegado Ângelo Ribeiro e a mulher, Renata Almeida negaram as acusações. A nota diz que a parte do investimento no restaurante, feito pela empresa de investimentos de Arthur Soares, se deu por meio de contrato formal, realizado dentro dos preceitos legais, com cobrança de juros e garantias reais.

A defesa de Arthur Soares também disse que as acusações não são verdadeiras.

G1*

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