Mensagens trocadas entre Rogério de Andrade e PM mostram que Fernando Iggnácio era alvo do bicheiro, diz MP - Tribuna NF

Mensagens trocadas entre Rogério de Andrade e PM mostram que Fernando Iggnácio era alvo do bicheiro, diz MP

Rogério Andrade e foto de marcas de tiro no carro de Fernando Iggnácio, que foi morto em atentado — Foto: Montagem/G1

A investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) sobre a execução do bicheiro Fernando Iggnácio, no final de 2020, deu novos passos na direção do também contraventor Rogério de Andrade.

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Para promotores do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), mensagens descobertas durante a investigação reforçam que Rogério foi o mentor intelectual e, principalmente, quem financiou o assassinato do rival.

Um relatório do grupo especializado – obtido pelo g1 e pela TV Gobo – traz o teor das conversas que, segundo o MP, são de Rogério de Andrade com o policial militar reformado Márcio Araújo de Souza.

Márcio Araújo é, segundo o MP, homem de confiança e subalterno do bicheiro, apontado ainda como sendo a pessoa que contratou os mercenários que executaram Iggnácio.

O PM, que se entregou à polícia em fevereiro de 2021, atualmente está preso na Unidade Prisional da PM acusado de participação no crime.

Genro de Castro de Andrade (tio de Rogério), o também bicheiro Fernando Iggnácio foi assassinado no dia 10 de novembro de 2020 com vários tiros de fuzil na cabeça ao voltar de uma viagem a Angra dos Reis, na Costa Verde.

A execução ocorreu no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste.

No relatório do Gaeco, do dia 3 deste mês, os promotores consideram que uma troca de mensagens descoberta durante as investigações é decisiva para apontar que houve “atuação direta” de Rogério de Andrade como mandante da execução.

Para os promotores do grupo especializado, não seria possível os autores executarem Fernando Iggnácio sem que Rogério tivesse financiado o ataque. Isso porque, de acordo com a investigação, foram “meses de vigilância” e uso de armamento de grosso calibre.

Os investigadores também apontam que os assassinos fizeram viagens a Angra dos Reis – destino recorrente de Fernando Iggnácio – e alugaram imóveis para acompanhar a rotina do bicheiro.

Além disso, os autores também fizeram voos de helicóptero que saíram do mesmo local onde Iggnácio foi morto.

Procurada pelo g1, a defesa do PM Márcio Araújo não quis se manifestar.

O advogado de defesa de Rogério de Andrade disse não ter tido acesso ao relatório e afirma repudiar o vazamento do documento antes dele ser disponibilizado à defesa.

‘Captain Jack S’ e ‘Lobo’

Os diálogos inéditos encontrados pelos investigadores são entre duas pessoas que se identificam no aplicativo de mensagens como “Captain Jack S.” e “Lobo 009”. Para o Gaeco, “Captain Jack S.” é Rogério de Andrade, e “Lobo” é Márcio Araújo.

O trecho da conversa considerado revelador pelos promotores é quando “Captain Jack S” (Rogério de Andrade) deixa claro para Lobo (Márcio Araújo) que tem um alvo “direto e certo”, apelidado de “Cabeludo”, que segundo a investigação é Fernando Iggnácio.

Em determinado ponto da conversa, “Captain Jacks S” diz: “O cabeludo é o que interessa!’.

Crise no bicho?

Segundo o MP, outro detalhe encontrado em mensagens do PM Márcio Araújo deixa claro existir uma relação de patrão e funcionário entre Captain Jack S. e Lobo, respectivamente.

Numa das mensagens com Araújo, Captain Jack S. diz que reduzirá salários e pagamentos de propinas à metade. A conversa aconteceu em março de 2020, quando começava a escalada da pandemia de Covid-19 no Brasil.

A ordem que supostamente partiu de Rogério de Andrade foi, segundo o Gaeco, repassada por Márcio Araújo a policiais corruptos.

“Irmão, estou fazendo contato para informar que por motivo dessa crise que está afetando o mundo inteiro, o meu superior pediu para informar que todos os pagamentos foram cortados pela metade”, diz Araújo a uma pessoa identificada apenas como “Dr. Max”.

Em outra mensagem, Araújo volta a reforçar o corte de pagamentos a um homem identificado como “Maj (Major) Rômulo”. No trecho, o braço direito de Rogério afirma que o corte é só enquanto durasse a crise, e que, depois, “tudo voltaria ao normal”.

Audiência

Nesta quinta-feira (10), está marcada mais uma audiência de instrução e julgamento no processo que julga os acusados pela execução de Fernando Iggnácio.

Além de Rogério de Andrade e Márcio Araújo, também são réus o PM Rodrigo Silva das Neves, Ygor Rodrigues Santos Cruz (o “Farofa”), Pedro Emanuel D’onofre (o Pedrinho) e o irmão deste Otto Samuel D’onofre.

Fonte: G1

Alerj

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