Justiça condena ex-PMs irmãos pelo homicídio triplamente qualificado de Fernando Iggnácio

O 1ºTribunal do Júri condenou nesta sexta-feira (17) dois irmãos e ex-PMs pelo homicídio triplamente qualificado do bicheiro Fernando Iggnácio, que aconteceu em 2020.
Pedro Emanuel D’onofre Andrade foi condenado a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão e Otto Samuel D’onofre Andrade a 31 anos, 5 meses e 6 dias de prisão.
A decisão do juiz Thiago Portes citou o fato de que mesmo sendo policial militar, Pedro D’onofre se juntou à máfia do jogo do bicho e participar de atividades criminosas, “usando de conhecimentos técnicos para assegurar o êxito da empreitada criminosa”, características típicas de grupos de extermínio.
Segundo o juiz, pedro foi responsável pelo levantamento de informações, monitoramento da vítima e reconhecimento do local onde o crime ocorreu.
A defesa dos réus diz que vai recorrer.
No segundo dia do júri, ao iniciar as alegações do Ministério Público, a promotora Andréa Fava lembrou que, entre os réus pelo crime, pelo menos quatro já atuaram como policiais militares.
Entre eles, estão Rodrigo Silva das Neves, condenado a mais de 32 anos de prisão; Márcio Araújo de Souza, homem de confiança de Rogério Andrade e que responde pelo crime em outro processo; além dos irmãos Pedro e Otto, que estão sendo julgados nesta sexta-feira:
“Esse é um aspecto nefasto, a cooptação de agentes da lei, que deveriam zelar pela sociedade, pela repressão do crime, agentes que são cooptados pela grande máfia da contravenção, do capo Rogério Andrade, que responde como mandante deste crime em outro processo. Temos também Márcio Araújo que fazia a ponte entre os executores e o Rogério Andrade”, disse a promotora.
Os promotores do do Grupo de Atuação Especializada em Júri (Gaejuri) do Ministério Público também lembraram que a vítima, Fernando Iggnácio, atuava como um dos “capos” do jogo do bicho no Rio de Janeiro, e citaram a disputa sangrenta entre ele e Rogério Andrade pela herança do bicheiro Castor de Andrade.
A promotora Andréa Fava, do Grupo de Atuação Especializada no Tribunal do Júri (Gaejuri) do MP, iniciou sua fala afirmando que o crime foi planejado meticulosamente e com atuação de executores profissionais:
“Não se trata de um crime no calor da emoção. Se trata de um crime com características de profissionais da arte de matar, de homens que eram policiais militares”, afirmou Fava.
Defesa chama acusação de “colcha de retalhos”
No início da fala da defesa, o advogado Flávio Fernandes afirmou que as provas são insuficientes para condenar Pedro e Otto pela participação na morte de Fernando Iggnácio, e questionou as investigações da Delegacia de Homicídios.
Segundo o advogado, a acusação é uma “colcha de retalhos”. Ele citou que não foi feito um exame de digitais nas armas encontradas na casa de Rodrigo Silva das Neves.
“A delegacia de homicídios é um antro de corrupção. Vários crimes sem solução, diversos crimes que tentaram imputar a pessoas inocentes aquela prática”, pontuou.
Ele ainda afirmou que tem provas documentais da insanidade mental de Pedro D’onofre Cordeiro e pediu que seu cliente fosse declarado inimputável.
O advogado de Pedro e Otto ainda negou que seus clientes tivessem qualquer relação com Rogério Andrade.
Com informações do G1.


