Há 30 anos em São Paulo, competições de Fórmula 1 podem voltar ao Rio

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, o governador do Rio, Wilson Witzel, e o presidente Jair Bolsonaro receberam neste mês cartas da empresa que organiza a Fórmula 1. Nelas, está explícito o interesse de trazer o GP Brasil para o Rio, que ainda não deu prosseguimento ao processo que pode erguer um novo autódromo, desta vez em Deodoro.

Assinada por Sean Bratches, diretor de Operações Comerciais da F1, a carta fala da expectativa de trabalhar, “num futuro muito próximo, com a cidade do Rio de Janeiro, com as agências locais e com o consórcio Rio Motorsports”.

Com sede em Arlington (EUA) e Dover (Reino Unido), o consórcio é o único candidato até agora do edital do autódromo de Deodoro, cuja publicação foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). A CSM, que já gerenciou camarotes no Maracanã em jogos operados pelo Flamengo, é uma das parceiras.

“Com sua liderança e o seu apoio, nós pensamos que o Rio de Janeiro será um grande acréscimo ao nosso calendário global de campeonato”, escreve Bratches para Witzel e Crivella. O texto explica que, desde 2017, a F1 pertence à Liberty Media. São Paulo, que recebe o GP Brasil, não é citada na carta.

O texto se encerra com a afirmação de que a F1 saúda a oportunidade de “conversar mais sobre o tema com seus secretários e diretores, em pessoa ou por telefone”.

Bolsonaro também recebeu carta, desta vez assinada pelo irlandês Chase Carey, o diretor executivo da Formula One Management. Nela, o texto muda: pede colaboração para que as provas do campeonato sejam mantidas no Brasil, em São Paulo, “ou em outra cidade como, por exemplo, o Rio”.

MotoGP também

Outra carta que chegou a Crivella é da Dorna Sports, companhia espanhola que organiza o Mundial de MotoGP. Seu CEO, Carmelo Ezpeleta, reafirma interesse em trazer as provas para o Rio, com parceria da Rio Motorsports.

Crivella também foi o destinatário da Tilke, empresa alemã que ergueu seis circuitos, entre eles o de Baku, que recebe a F1 neste domingo. Segundo a carta, Baku foi erguido em 12 meses, e do Bahrein, em 18.

Nela, a Tilke se dispõe a “assegurar o desenvolvimento, a construção e a operação” de circuito de nível internacional com chancela da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) capaz de receber “tanto a F1 quanto a MotoGP”.

— Se conseguirmos erguer o autódromo até setembro de 2020, é possível homologar a pista a tempo de entrar no Mundial de F1 em novembro — disse JR Pereira, diretor executivo do consórcio, ao GLOBO.

Mas há freios. Só ontem os conselheiros do TCM decidiram por unanimidade remeter o edital suspenso à prefeitura, para que sejam feitas novas correções e esclarecimentos. A PPP (parceria público-privada) está orçada em R$ 697,4 milhões vindos exclusivamente da iniciativa privada. Não há verba pública envolvida, e Crivella é favorável à pista.

Agora, cabe à Subsecretaria de Projetos Estratégicos (Subpe), pilotada por Fernando Meira, prestar detalhamentos e retificações exigidos pelo TCM a fim de que a licitação vá à rua. Em fevereiro, o edital da Subpe recebeu 138 correções recomendadas pelo relator do processo no TCM, José de Moraes, o que suspendeu o primeiro certame.

O outro obstáculo tem a ver com a área da obra. Deodoro surgiu como compensação para a demolição do Autódromo de Jacarepaguá — que recebeu a F1 pela última vez em 1989 e foi demolido em 2012 para dar lugar ao Parque Olímpico. Lá fica a Floresta do Camboatá.

Na última quarta, na Câmara dos Vereadores, foi aprovada em primeira votação a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA) na floresta. A segunda votação entrou e saiu da pauta ontem, mas pode voltar na terça. Os ambientalistas reconhecem a importância de um autódromo capaz de seduzir a F1 — 60% do público dos cinco dias de Interlagos é de turistas — mas preferem que se encontre outro lugar.

Em dezembro de 2018, o então Ministério do Esporte pagou R$ 69,5 milhões ao Exército, proprietário do terreno, e ficou de transferi-lo para o município. A cessão à prefeitura foi selada num convênio com o Ministério Público Federal, mas ainda não ocorreu.

Fonte: O Globo

2 thoughts on “Há 30 anos em São Paulo, competições de Fórmula 1 podem voltar ao Rio

  • 26/04/2019 em 09:38
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    Excelente
    Ms em Deodoro, poderi ser um pr moto, krt e etc.
    O de F1, Stock Car, poderia realmente ser em Jacarepaguá. Nos fundos do Shopping Metropolitano.

    Resposta
  • 26/04/2019 em 09:13
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    Bom dia a todos!

    O nosso Rio de Janeiro precisa voltar a ter eventos dessa natureza. É bom para o Rio, é bom para o Brasil. Atrai turistas e divisas para todos nós.

    Há uma área imensa, atrás do Shopping Metropolitano e do Hospital Sarah Kubitschek – Av. Embaixador Abelardo Bueno, Jacarepaguá, que poderia ser avaliado para ali se instalado o autódromo do Rio de Janeiro.

    Fica a sugestão para os especialistas e para o Poder público.

    Edezio Figueiredo

    Resposta

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