18/07/2024
Variedades

Grupo do setor de eventos se une para pedir que MPF apure se site facilita a venda de ingressos falsos

Um grupo de empresários e associações ligados ao setor de eventos protocolou no Ministério Público Federal (MPF), nesta quinta-feira (7), um pedido de investigação contra o site de comercialização de ingressos Viagogo.

No documento, eles acusam a plataforma de facilitar a venda de ingressos falsos e a prática de crimes como o cambismo, por exemplo. Segundo o relatório, o Viagogo seria usado por falsificadores.

O g1 entrou em contato com a plataforma e aguarda posicionamento.

O pedido de investigação é assinado pela Associação Procure Saber, entidade presidida pela produtora Paula Lavigne, Associação Brasileira de Venda de Ingressos (Abrevin), Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape) e empresas de eventos e venda de ingresso de todo o país.

O grupo indica que “tem percebido uma crescente ocorrência de atividades predatórias e desleais, resultando, inclusive, em crimes direcionados aos consumidores, como é o caso da plataforma intitulada Viagogo”.

O Viagogo é usado em vários países para comercialização não oficial de ingressos para shows, eventos esportivos, peças de teatro e outras atrações culturais.

Em seu site, a empresa diz ser “o maior mercado secundário do mundo para ingressos para eventos ao vivo. E um lugar seguro onde vendedores podem estabelecer seu preço e compradores não perdem oportunidades”.

De acordo com a petição apresentada ao MPF, o modelo de negócio da Viagogo tem causado danos aos consumidores: “Trata-se de uma plataforma idealizada para simplificar o processo de aquisição de ingressos para shows e eventos que tem se tornado fonte de frustração, transformando a expectativa inicial do consumidor em amargura, perdas e decepções, além de facilitar os golpes e o cambismo”.

“Não há qualquer critério por parte da Viagogo para verificar a veracidade dos ingressos que são revendidos em sua Plataforma”, diz parte da petição.

Ainda de acordo com a petição, as práticas do site ocasionaram danos morais e materiais em “inúmeros consumidores”. Usuários do Viagogo disseram ter comprado ingressos:

  • falsificados;
  • duplicados, com o mesmo ingresso sendo vendido para diversos consumidores;
  • com valor muito maior do que o valor real do ingresso, caracterizando o cambismo;
  • de setores diferentes do oferecido;
  • destinados aos beneficiários de meia-entrada, sem deixar claro no anúncio;
  • cancelados (criminosos compram com cartões clonados, a compra não se conclui, e o ingresso é cancelado, mas seguem à venda no Viagogo);
  • vendidos pela plataforma antes mesmo do início das vendas oficiais.

Consumidores enganados

O grupo de artistas e empresários avalia que a plataforma Viagogo também estaria induzindo os seus clientes ao erro. Segundo a denúncia, o marketing da empresa estaria atuando para promover a página em sites de pesquisa como o Google.

De acordo com o grupo, a estratégia utilizada coloca o site como um dos primeiros na busca, na frente inclusive do site oficial para vendas dos ingressos do evento procurado pelo consumidor.

A denúncia indica que essa prática leva o consumidor a acreditar que a Viagogo é uma ferramenta oficial para a venda dos ingressos que o consumidor está buscando.

“É perceptível o esforço da plataforma para ludibriar os consumidores, visto que a própria plataforma realiza o cadastro dos eventos, utilizando, sem qualquer autorização, a imagem dos artistas e/ou festivais, inclusive copiando os mapas de assento que são disponibilizados pelas ticketeiras oficiais, sem qualquer informação de que se trata de revenda de ingressos”, diz parte da nota.

Benefício financeiro

Segundo o documento levado ao MPF, a Viagogo se beneficia das operações de compra e venda que acontecem na plataforma, sem verificar a autenticidade e a validade do ingresso comercializado.

“Além de se beneficiar das vendas fraudulentas que ocorrem em sua plataforma, a Viagogo ainda possibilita esquemas de estelionatários e, também, o cambismo (…) Alguns dos ingressos anunciados na Viagogo não seriam de pessoas físicas que apenas gostariam de revender seu ingresso por não poderem mais ir ao evento, mas que, na verdade, seriam propriedade de empresas especializadas em comprar ingressos e revender aos usuários por um preço maior”.

Fonte: G1

Alerj

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