Garotinho acusa Victor Travancas de falsificar procuração, aciona a Polícia Civil e pede busca e apreensão contra ex-advogado

A defesa do ex-governador Anthony Garotinho (PSD), candidato ao governo do Rio, apresentou uma notícia-crime à Polícia Civil do estado contra o advogado Victor Travancas, seu ex-defensor, e pediu a abertura de investigação por suspeita de falsificação e uso de documento falso.
Segundo Garotinho, Travancas teria usado uma procuração que ele afirma nunca ter assinado para conseguir acesso a um processo de improbidade administrativa que tramita sob segredo de Justiça no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Representação cita uso de mandato para acessar ação sob sigilo.
Defesa sustenta que assinatura pode ter sido copiada digitalmente
O documento questionado é datado de 22 de julho deste ano.
A defesa diz que Garotinho havia dado a Travancas, em maio, uma procuração com a finalidade de contestar a candidatura de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo que busca se candidatar a deputado estadual. Esse documento, segue a petição, não autorizava o advogado a atuar no processo de improbidade nem a usar a assinatura do ex-governador para produzir outro mandato.
De acordo com a notícia-crime, Travancas apresentou a segunda procuração em 10 de agosto ao tribunal para pedir acesso aos autos do processo de improbidade. Garotinho afirma que jamais assinou ou autorizou o documento.
A defesa aponta ainda que as assinaturas das duas procurações são visualmente idênticas e pede perícia para verificar se uma assinatura verdadeira foi reproduzida e inserida no segundo documento.
A representação também afirma que, a partir de segunda-feira (17), Travancas passou a fazer manifestações públicas contra o ex-cliente, dizendo que ele estaria inelegível. Na quarta-feira (19), o advogado protocolou no Tribunal Regional Eleitoral do Rio uma notícia de inelegibilidade contra Garotinho, com referências a informações da ação de improbidade que tramita sob sigilo.
A defesa pede que sejam investigadas, entre outras hipóteses, falsificação e uso de documento falso. Também solicita apuração sobre eventual violação de segredo profissional e difamação.
A notícia-crime cita declarações atribuídas a Travancas nas quais ele teria dito que Garotinho agia de “má-fé” e “deveria estar preso”.
Os advogados de Garotinho pedem ainda perícia grafotécnica, documentoscópica e computacional nas duas procurações. A intenção é verificar não apenas a autoria da assinatura, mas se houve eventual recorte, reprodução ou inserção digital de uma assinatura verdadeira em outro arquivo.
A defesa também requereu busca e apreensão de equipamentos que possam conter arquivos, versões ou registros relacionados à produção da procuração questionada. Pediu, por fim, que Travancas seja impedido cautelarmente de usar procurações em nome de Garotinho.
Com informação da Coluna de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.
O espaço está aberto para o citado se manifestar.

