Exclusivo: PF cita ameaças atribuídas ao grupo de Canella em caso envolvendo posto de combustível em Campos

A representação da Polícia Federal que aponta o deputado estadual eleito Márcio Canella como principal investigado cita ameaças relacionadas a uma disputa societária envolvendo o Posto de Gasolina Nova Ponte, em Campos dos Goytacazes. A Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), resultou na prisão de Canella, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”. Outros policiais também foram presos e alvos de busca e apreensão.
Segundo a representação, Pablo de Abreu (ex-sócio do posto) afirmou ter participação de 33,3% no capital da empresa do Posto Nova Ponte, mas disse que nunca administrou o posto nem recebeu pró-labore, dividendos ou outros valores.
No depoimento reproduzido pela PF, Pablo relatou que, ao cobrar a devolução do dinheiro investido no negócio, teria sido ameaçado por Márcio Canella e por Pablo Jukiá, o “Pablo Russo”. Ele também afirmou que passou a enfrentar fiscalizações de diferentes órgãos públicos quando cobrava valores que considerava devidos.
“…PABLO DE ABREU afirmou nunca ter exercido a administração do estabelecimento, tampouco ter percebido pró-labore, dividendos ou qualquer outra forma de retirada de valores decorrente da sociedade.Relatou ainda que, ao solicitar a restituição do valor que havia investido no fundo de comércio por ocasião da constituição da empresa, foi ameaçado por JOSÉ CARLOS e por PABLO JUKIÁ, razão pela qual desistiu de prosseguir com a cobrança. Afirmou, adicionalmente, que sempre que buscava cobrar de ambos os valores que lhe eram devidos, passava a sofrer fiscalização por parte de diversos órgãos — fazendário, ambiental, de defesa do consumidor, entre outros.”, diz trecho da Representação da PF obtido pela Tribuna NF.
O declarante disse ainda que assinou uma alteração contratual para deixar a sociedade, mas o documento não foi registrado na Junta Comercial. Por isso, recorreu à Justiça para formalizar sua saída da empresa.
A representação informa que a 3ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes proferiu decisão favorável a Pablo, relacionado à retirada de seu nome do quadro societário.
O documento também registra declarações sobre supostas aquisições de postos de combustíveis com pagamentos parcelados que, segundo o declarante, não seriam integralmente quitados, além de alegadas ameaças a vendedores. As afirmações constam do relato apresentado à PF.
A operação resultou na prisão de seis pessoas, entre elas Canella, José Carlos, Pablo Jukiá, o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim e outros dois policiais civis. A investigação apura suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e irregularidades no setor de combustíveis.
A Polícia Federal também aponta suspeitas de combinação artificial de preços e quantidades e de controle da distribuição de combustíveis, com possível prejuízo à livre concorrência. As acusações estão sob investigação e não representam, por si só, condenação judicial.
Tribuna NF deixa espaço aberto para defesa dos citados, podendo enviar nota para redacao@tribunanf.com.br.

