Entrevista mostra que 2 anos depois, Rafael Diniz ainda não saiu do palanque

Por Marcos Pedlowski

A entrevista concedida pelo jovem prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz (PPS), ao jornal Folha da Manhã mostra que ele ainda não saiu do palanque que o elegeu em 2016. Entre negações em relação às suas responsabilidades, incapacidade de assumir descumprimento de promessas, e sua tendência à culpar uma oposição praticamente inexistente, Rafael Diniz insiste em não enxergar o que a maioria da população de Campos já enxergou: seu governo não viveu minimamente à altura das promessas eleitorais. Por isso, talvez, ele instintivamente insista em se manter em clima de palanque.

O problema para Rafael Diniz e seu grupo de menus neoliberais é que a passagem pela metade de governo normalmente indica aos governantes de plantão aquelas coisas que precisam ser melhoradas. Como ele demonstra ainda forte incapacidade de estabelecer o que se convenciona chamar de “análise crítica”, é pouco provável que ele consiga reordenar suas ações para lograr a retomada do crédito político que de forma tão irresponsável, ele optou por jogar fora em seus dois primeiros anos de governo.

A nova realidade política do Brasil exigirá de gestores municipais grande capacidade de operar com menos recursos, pois já se tornou óbvio que o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, cortará algumas linhas de aporte de recursos do governo federal para as prefeituras. O tamanho do arrocho deverá ficar logo evidente nos primeiros dias de 2019. Mas, independente do tamanho, o arrocho será inevitável e Rafael Diniz e seus menudos deveriam já estar pensando no que fazer para efetivamente melhorar a eficácia da sua gestão, e não simplesmente eliminar programas sociais.

Há ainda que se dizer que de nada servirá a insistência em jogar a culpa de seus próprios erros em uma suposta herança maldita deixada pela ex-prefeita Rosinha Garotinho. É que passados dois anos, a tal arrumação da casa de que Rafael Diniz se gabou na já citada entrevista em nada melhorou o padrão dos serviços públicos municipais.

O mais correto seria conduzir uma auto avaliação, de preferência longe das praias e restaurantes luxuosos situação em Armação de Búzios, local que o jovem prefeito adora frequentar enquanto os nossos hospitais sofrem com a falta de itens básicos.

Uma coisa é certa: a hora é de sair do palanque e colocar os pés nas ruas. Sem isso, 2020 não trará boas notícias eleitorais para Rafael Diniz e seu grupo, e o único alavancamento que ele terá será uma passagem de volta para as margens da Lagoa do Vigário.

*Marcos Pedlowski é Professor Associado da Universidade Estadual do Norte Fluminense em Campos dos Goytacazes, RJ. Bacharel e Mestre em Geografia pela UFRJ e PhD em “Environmental Design and Planning” pela Virginia Tech.

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