Empresário Edson Torres diz que pagava propina para Edmar Santos

O empresário Edson Torres afirmou que pagava propina ao ex-secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos.

Segundo ele, o pagamento começou quando Santos era diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

As afirmações de Torres foram feitas durante sessão do Tribunal Especial Misto, que julga o impeachment do governador afastado do Rio, Wilson Witzel (PSC), na manhã desta quarta-feira (13).

Durante a asessão, Torres afirmou que era proprietário da empresa de segurança Dinâmica.

Segundo ele, a relação com Edson Santos se estreitou depois que este assumiu a titularidade da pasta da Saúde.

Indicação ao cargo

Torres afirmou que teve participação importante na indicação de Edmar Santos para o cargo de secretário de Saúde.

Segundo ele, Edmar pretendia se tornar reitor da Uerj e posteriormente deputado. No entanto, após a eleição de Witzel, sua meta mudou.

“Nós nos encontramos em um café da manhã no Hotel Hilton. Naquela ocasião, Edmar me pediu para apresentar o currículo dele ao governo recém-eleito. Entreguei o currículo ao pastor Everaldo, que o repassou ao Witzel e o Edmar acabou escolhido para ser secretário de Saúde”.

Arrecadação para Witzel

Na audiência, Torres, que já prestou depoimento para o Ministério Público Federal e é ligado ao pastor Everaldo, afirmou ter participado de forma ativa na arrecadação de fundos para a campanha do então candidato ao cargo de governador, Wilson Witzel.

A ajuda, ele disse, já vinha antes mesmo de Witzel deixar o cargo de juiz federal.

“Juntamos um valor de quase R$ 1 milhão de subsistência caso ele (Witzel) não ganhasse a eleição. O valor foi pago até a desincompatibilização do cargo de juiz. Foram pagas algumas parcelas – uma delas, a Lucas Tristão. Outra foi entregue ao Everaldo em uma sala na Avenida Rio Branco 109, oitavo andar. Nessa ocasião, o então juiz federal estava presente”.

Cedae

Durante o depoimento, Torres afirmou também ter pago propina à Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) quando esta era presidida por Jorge Briard.

Divisão da propina

O empresário detalhou como era feita a divisão das propinas pagas em contratos assinados na Secretaria Estadual de Saúde quando Edmar Santos assumiu o controle do órgão.

“Algumas Organizações Sociais (OSs) faziam pagamentos e quem cuidava da arrecadação (da propina) prestava contas e dividia proporcionalmente. Da arrecadação que se fez, do período de 2019 até maio ou junho de 2020, dos 100% arrecadados, 15% ficavam comigo, 15% com o (empresário) Vitor Hugo, 30% ficavam com o Edmar e 40% iam para o Everaldo e para a estrutura de governo”.

Questionado se parte da propina iria para Witzel, Torres disse não ter condições de responder.

G1*

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