26/05/2026
Política

Em 2 meses, governador Ricardo Couto exonera 2,7 mil comissionados no Estado do Rio

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Governador em exercício, desembargador Ricardo Couto

Em dois meses no comando do RJ, o governador em exercício Ricardo Couto trocou 20 nomes do primeiro escalão e exonerou mais de 2,7 mil funcionários comissionados.

Presidente do Tribunal de Justiça do Rio, o desembargador assumiu o comando do Palácio Guanabara até que o Supremo Tribunal Federal (STF) decida se o estado terá uma eleição indireta para escolher um governador-tampão no lugar de Cláudio Castro (PL).

O julgamento no STF está suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Nesta segunda-feira (25), Ricardo Couto promoveu mais duas mudanças no primeiro escalão. Maria Rosa Lo Duca Nebel deixou a Secretaria de Polícia Penal. Nomeada por Cláudio Castro, ela vinha sendo alvo de críticas, inclusive de integrantes da base aliada do ex-governador.

Recentemente, uma licitação da pasta no valor de R$ 1,3 bilhão foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). O conselheiro José Gomes Graciosa apontou suspeitas de restrição à competitividade e falhas de transparência na contratação para fornecimento de alimentação de presos.

Para o lugar de Maria Rosa, foi nomeada Alessandra Rosa Odawara, policial penal de carreira com 17 anos de atuação no sistema penitenciário.

A outra mudança ocorreu no comando do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase). O delegado federal Victor Poubel deixou o cargo, e o delegado da Polícia Civil Cristiano do Vale Maia assumiu a chefia do órgão. Antes, ele comandava a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima.

Foi a 20ª troca no primeiro escalão desde o início da gestão interina de Ricardo Couto. As mudanças atingiram tanto o comando das secretarias quanto a estrutura administrativa do governo.

Levantamento do RJ2 mostra que 20 pastas e órgãos tiveram alterações na chefia. As mudanças atingiram áreas estratégicas, como as secretarias da Casa Civil, Governo e Planejamento. Servidores de carreira passaram a ocupar postos centrais na administração estadual.

O mesmo ocorreu em áreas como Saúde e Defesa do Consumidor. Na Cedae e no Rioprevidência, as mudanças foram motivadas por investimentos no Banco Master, que passaram a ser investigados.

Três das mudanças recentes tiveram como objetivo reduzir a influência do empresário Ricardo Magro, dono da Refit, no governo estadual. As trocas ocorreram nas secretarias do Ambiente e Fazenda e na Procuradoria-Geral do Estado.

Segundo a Polícia Federal, a gestão anterior teria favorecido interesses da refinaria, considerada a maior devedora do país e a segunda maior do estado do Rio. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) criou um grupo de trabalho para revisar todos os procedimentos de licenciamento concedidos à Refit.

A medida foi tomada porque o órgão havia autorizado licenças ambientais mesmo diante de pareceres técnicos que apontavam contaminação do solo.

Na época em que o TCE suspendeu a licitação, a Secretaria de Polícia Penal disse que a medida era contrária a manifestações técnicas do próprio Tribunal e do Ministério Público de Contas. E que o edital incorporou ajustes e aprimoramentos, garantindo competitividade, legalidade e segurança na prestação do serviço.

*Com informações do G1

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