Delator confirma que pagava propina a perito para favorecer empresas de ônibus em processos judiciais no RJ

Empresário José Carlos Lavouras

José Carlos Lavouras, que durante quase 30 anos foi presidente do Conselho de Administração da Federação das Empresas de Ônibus do Estado do Rio, confirmou seu termo de colaboração e disse nesta quinta-feira (13) à Justiça que a Fetranspor tinha um caixa paralelo para pagamento de propina a agentes públicos.

Lavouras tem dupla cidadania, e vive em Portugal desde julho de 2017, quando o juiz federal Marcelo Bretas decretou a sua prisão preventiva na Operação Ponto Final, desdobramento da Lava-Jato no Rio que desvendou o esquema de corrupção na Fetranspor.

No início desse ano, a delação premiada de Lavouras foi homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A audiência desta quinta-feira foi a primeira em que Lavouras foi ouvido pela Justiça. Lavouras estava no escritório da sua empresa em Portugal, e falou por videoconferência. Por ser delator, apenas o áudio do depoimento foi gravado, sem a imagem do delator.

Na audiência, Lavouras confirmou que a Fetranspor pagou propina ao perito judicial Charles Fonseca William. O perito foi preso em dezembro de 2019 pela Lava-Jato, acusado de receber suborno para fazer laudos favoráveis às empresas de ônibus em processos na Justiça.

Segundo Lavouras, as propinas variavam entre R$ 120 mil e R$ 1 milhão. A denúncia do Ministério Público Federal diz que o perito recebeu 4 milhões e 900 mil reais em propina da Fetranspor.

O delator afirmou que os empresários de ônibus eram ameaçados por agentes públicos caso não pagassem essas propinas.

“Confirmo meu termo de colaboração. Fiz pagamentos ao Charles. Foram 6 casos que eu me lembrei. É muito difícil lembrar de tudo, mas esses casos eu fixei. Casos entre 2010 e 2016. E usei o Wiliam pra fazer… em dois ele atuou como perito. E nos outros ele me disse que tinha conhecimento suficiente com os peritos para fazer o laudo junto com eles favoráveis às empresas de ônibus”, afirmou Lavouras.

Nesta ação penal, além de José Carlos Lavouras e do perito Charles William, são réus os empresários Jacob Barata Filho, conhecido como “Rei dos Ônibus”, e João Augusto Morais Monteiro, que foi presidente do Rio Ônibus, o Sindicato das Empresas de Ônibus da cidade do Rio.

A Fetranspor diz que “tem desenvolvido uma profunda reestruturação interna, com o estabelecimento de uma política de conformidade e integridade e o fortalecimento de sua administração com uma moderna governança”. A federação também diz que as “notícias recentes relacionadas à gestão da Fetranspor referem-se a fatos supostamente ocorridos antes da posse da nova diretoria executiva” e que “destaca mais uma vez o seu comprometimento para colaborar com as investigações em andamento”.

G1*

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