Calicute: operação que prendeu Sérgio Cabral completa 4 anos

Há quatro anos, a Calicute, operação do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), mudava o cenário político do Rio de Janeiro.

Braço da Lava Jato no estado, a ação levou para a cadeia governantes, deputados, empresários e doleiros, como mostrou o RJ2 nesta terça-feira (17).

O nome da operação foi uma referência a uma cidade indiana que reagiu à tentativa de exploração do conquistador português Pedro Álvares Cabral.

Quando chegou ao Rio, a Lava Jato estava atrás de esquemas de corrupção nas obras da usina nuclear de Angra 3. Mas as investigações explosivas que sacudiriam o estado estavam na capital e nos principais centros do poder fluminense.

A força-tarefa revelou uma rede de corrupção complexa: de um lado, empreiteiros, empresários, ou seja, quem corrompia. Do outro, deputados, secretários, governadores: os corruptos. O que todo cidadão desconfiava, acabou sendo comprovado.

Contratos geravam propina. Tudo foi explicado nas palavras de um réu confesso, o próprio ex-governador Sérgio Cabral.

“A tradição era de 10%, 20%, 30%. E aqui não quero me eximir, querendo ser bonzinho não, por cobrar 5%. Mas essa era a tradição do segmento”, afirmou o ex-governador, que está preso.

E o roubo era de dinheiro público, verbas que deveriam ir para a Educação, Saúde, Transporte e outras áreas da administração pública.

Em vez de investimentos nos setores, toda a propina era transformada em bens de luxo: mansões, carrões, joias e viagens. Em Paris, na França, um episódio ficou conhecido como “a farra dos guardanapos”.

Resultados
Até o fim do ano passado, 553 pessoas tinham sido denunciadas por envolvimento nos esquemas de corrupção. Dessas, 295 foram presas. Não se sabe exatamente quanto foi desviado, mas o dinheiro recuperado dá uma ideia do assalto aso cofres públicos.

Foram devolvidos R$ 4,3 bilhões de reais. E os investigadores esperam recuperar, no total, quase R$ 15 bilhões.

G1*

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