Bruno Dauaire sai em defesa de Wladimir Garotinho após racha com dois vereadores e dispara: “Projeto pessoal não pode se sobrepor ao grupo”

O cenário político de Campos dos Goytacazes ganhou novos e explosivos capítulos. O deputado estadual e ex-secretário de Estado de Habitação, Bruno Dauaire, quebrou o silêncio e subiu o tom nesta quinta-feira (4) para defender o ex-prefeito e aliado político Wladimir Garotinho. O pronunciamento de Dauaire surge como uma forte contraofensiva do núcleo governista após o racha público e a saída da base dos vereadores Leon Gomes e Marquinho do Transporte.
Em uma declaração contundente publicada nas redes sociais, Dauaire rechaçou as acusações de “traição” ou “deslealdade” direcionadas a Wladimir. Segundo o deputado, a decisão de afunilar o grupo em torno de duas pré-candidaturas a deputado estadual e a pré-candidatura de Wladimir a deputado federal faz parte da dinâmica natural e estratégica do grupo político.
O exemplo de 2014: “Renunciar faz parte da política”
Para contextualizar, Bruno Dauaire recorreu à própria história do grupo político, relembrando um episódio didático ocorrido em 2014, quando o próprio Wladimir Garotinho teve que abrir mão de seus planos eleitorais em prol do coletivo.
“O ano era 2014. Eu e o meu amigo Wladimir Garotinho… ele tinha um sonho de ser candidato a deputado estadual naquela época. Mas a decisão do grupo político naquele momento foi não lançá-lo. E o Wladimir teve que renunciar o seu sonho por uma decisão de um colegiado do seu grupo político. E assim é feito a política”, pontuou o parlamentar.
Dauaire enfatizou que “um projeto pessoal não pode se sobrepor ao projeto de um grupo político” e justificou que a escolha de Wladimir como o nome único para Brasília se deve à sua “trajetória, história e poder de articulação” para trazer recursos e defender os interesses de Campos no Governo Federal.
Ataques e contra-ataque: Menção a contratos sob suspeita na PF
Sem citar nomes diretamente, mas deixando claro o alvo de suas críticas, Bruno Dauaire rebateu as declarações recentes de vereadores dissidentes que criticaram a atuação da Secretaria de Estado de Habitação. Ele ironizou a postura dos parlamentares, afirmando que já os viu “batendo palmas em inaugurações” que agora tentam menosprezar.
O ponto mais agudo do discurso do deputado, mesmo sem citar o nome, foi direcionado ao vereador Marquinho do Transporte, sugerindo que as motivações por trás do rompimento político vão além de divergências partidárias. Dauaire relembrou as investigações sobre contratos públicos:
“Só nós sabemos o verdadeiro interesse desse cidadão em ser deputado estadual. Não é para defender o povo, mas sim para defender os próprios interesses que estão lá na Secretaria de Educação, nos contratos de transporte escolar que estão sob suspeita na Polícia Federal”, disparou o deputado, fazendo alusão à Operação Stop, deflagrada pela PF e pelo Gaeco/MPRJ para apurar fraudes licitatórias no setor.
“Fazer espetáculo é covardia”
Ao finalizar o desabafo, Bruno Dauaire validou as exonerações de cargos indicados pelos vereadores rompidos, sinalizando que a saída da base governista é a consequência natural para quem decide seguir um rumo isolado.
“Então não venha de ladainha, não venha de blá-blá-blá. Vamos ser justos (…) É natural que quando há este conflito, cada um busque o seu caminho. Fazer espetáculo em cima disso é covardia”, concluiu Dauaire, reafirmando sua fidelidade histórica ao grupo em sua quarta disputa eleitoral consecutiva.


