Bolsonaro acelera processo de desmonte de ativos da Petrobrás - Tribuna NF

Bolsonaro acelera processo de desmonte de ativos da Petrobrás

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Faltando menos de um mês para o fim de seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro acelerou o processo de desmonte da Petrobrás, seguindo na contramão do que recomendam o grupo de transição do governo Lula e o próprio Conselho Gestor da estatal. Ao apagar das luzes, a ideia é vender ao capital privado todo o patrimônio possível da maior companhia brasileira.

No dia 30 de novembro, foi concluída a venda da Refinaria Isaac Sabbá (Reman) para o grupo Atem. A gestão bolsonarista também anunciou o planejamento estratégico da Petrobrás para o período 2023-2027, sem levar em conta as propostas de Lula de fortalecer o conteúdo nacional na construção de navios e plataformas, voltando a gera empregos nos estaleiros brasileiros, e alterar a política de Preço de Paridade de Importação (PPI), que pode baratear o custo dos combustíveis.

Na avaliação de Sérgio Borges, diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), este processo de “rapinagem” promovido por Bolsonaro é totalmente contrário às propostas do futuro presidente e precisa ser freado. Ele destaca, por exemplo, a proposta que está sendo construída por Lula para aumentar a capacidade de refino do país, através da ampliação de refinarias e conclusão do GasLub (antigo Comperj) em Itaboraí.

– A atitude do atual governo vai de encontro ao que o próximo governo está anunciando para acabar com a dependência da importação de derivados de petróleo e pôr fim à política de PPI, que vem penalizando a sociedade brasileira, em especial os mais pobres – comenta Borges.

Em sua avaliação, a categoria petroleira terá um papel importante na defesa da Petrobrás como empresa indutora do desenvolvimento nacional, investidora em novas tecnologias e inovação. “Sonhamos com essa estatal forte, uma empresa integrada a serviço da sociedade brasileira”.

Desmonte das áreas essenciais

O desmonte de Bolsonaro vai muito além da Petrobrás. Ao apagar das luzes, o governo derrotado nas urnas anunciou um corte de R$ 366 milhões na Educação, que afetará principalmente os institutos federais. No Instituto Federal Fluminense (IFF), que tem sede em Campos e unidades em mais dez municípios do estado do Rio, o corte chega a R$ 4,93 milhões.

No orçamento federal de 2023, o presidente que se despede também cortou recursos para programas fundamentais à população de baixa renda, como o Farmácia Popular e o Auxílio Brasil – que voltará a se chamar Bolsa Família. No combate à Covid-19, 13 milhões e doses de vacina correm o risco de ser descartadas porque estão com prazo de validade prestes a expirar.

Segundo Sérgio Borges, o Sindipetro-NF e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) estão atentos à falta de recursos para as áreas fundamentais à sociedade brasileira e pretendem se mobilizar. Não está descartada a cobrança na Justiça pela forma como esse desmonte vem ocorrendo – com falta de transparência e conflitos de interesses.

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