Parte 2 – Os erros de estratégia de Eduardo Paes

Chegamos ao resultado das eleições para o governo do Rio de Janeiro e, para quem acompanha o blog, nenhuma surpresa.
Naquela publicação, eu já analisava um possível cenário de segundo turno, e isso poderia representar um problema para Paes, que cometia erros estratégicos semelhantes aos da eleição de 2018, quando foi derrotado de forma acachapante, sofrendo uma virada ainda no primeiro turno. O resultado de ontem foi o mesmo.
O principal erro que Eduardo Paes repete é justamente aquele que ele próprio admitiu em entrevista: tentar atrapalhar Garotinho. E, nesse caso, no “tapetão”.
Naquela eleição, Anthony Garotinho foi impedido de concorrer na reta final da disputa.
Disse também que, ao tentar impedir, por exemplo, a participação de Garotinho nos debates, Paes acabou criando uma imagem negativa para sua própria campanha. A estratégia de tentar retirar um adversário da disputa produziu exatamente o efeito contrário ao desejado.
Outro efeito da movimentação foi o crescimento de Douglas Ruas nas pesquisas. O candidato aparecia em ascensão e, naquele momento, apresentava uma rejeição significativamente menor que a de Paes.
Dito isso, vamos à atualização sobre os acontecimentos dos últimos dias.
Fiz a publicação anterior há mais de um mês e, de lá para cá, Eduardo Paes insistiu nos ataques a Garotinho, utilizando o Judiciário novamente.
Foi quando aconteceu o debate da Globo, faltando poucos dias para a eleição.
Garotinho liquidou Eduardo Paes naquele debate, gerando grande repercussão nas redes sociais.
A campanha de Eduardo Paes identificou, no pós-debate, uma grande subida de Garotinho.
Na sexta-feira, veio o novo ataque de Paes contra Garotinho, utilizando mais uma vez o Judiciário.
A pedido de Eduardo Paes, uma decisão do ministro Floriano Marques revogou a liminar antes concedida por ele próprio para que Garotinho realizasse campanha até a decisão final sobre o registro de candidatura.
A decisão em si não alterava o cenário, uma vez que, como já dito aqui no blog, os votos de Garotinho seriam contabilizados para a aferição de segundo turno até a decisão definitiva.
O que causou estranheza foi o ministro colocar, ao final da sua decisão, que os votos de Garotinho seriam anulados. Isso gerou um grande efeito midiático.
E foi aí a pá de cal em Eduardo Paes.
Douglas Ruas, muito bem assessorado, utilizou a decisão para defender a candidatura de Garotinho e para demonstrar que o “sistema” estava atuando no Rio de Janeiro a favor de Paes e Lula, gerando um forte efeito antissistema. Naquela ocasião, mais de 40% dos eleitores ainda não haviam decidido o voto.
O resultado veio e, hoje, por ironia do destino, Eduardo Paes depende dos votos de Garotinho, sendo ele próprio o autor da impugnação da candidatura do ex-governador.
Garotinho tem algumas opções.
O ex-governador pode pedir a desistência do recurso — e, com isso, Ruas deve ser proclamado de imediato governador eleito no primeiro turno — ou pode seguir com o recurso. Ambos são um direito seu.
O interessante seria ver os advogados de Eduardo Paes terem que sustentar o deferimento do registro de Garotinho, uma vez que eles mesmos foram os impugnantes.
Não tenham dúvidas de que irão tentar mais alguma manobra para salvar a candidatura de Paes.
Só falta combinar com o povo.
Relembre a primeira publicação no link abaixo:
Possível segundo turno no Rio e os erros de estratégia de Paes


