Política

Parte 2 – Os erros de estratégia de Eduardo Paes

No debate da Globo, Garotinho aperta Eduardo Paes para falar onde foram parar as vigas da Perimetral do Rio de Janeiro
Debate da Globo: Garotinho x Eduardo Paes
Blog do Ralfe Reis - Conteúdo exclusivo com Credibilidade

Chegamos ao resultado das eleições para o governo do Rio de Janeiro e, para quem acompanha o blog, nenhuma surpresa.

Em 2 de setembro, fiz a primeira publicação analisando o cenário eleitoral e, naquela ocasião, falei sobre os erros de estratégia de Eduardo Paes, que repetia as mesmas falhas da eleição de 2018.

Naquela publicação, eu já analisava um possível cenário de segundo turno, e isso poderia representar um problema para Paes, que cometia erros estratégicos semelhantes aos da eleição de 2018, quando foi derrotado de forma acachapante, sofrendo uma virada ainda no primeiro turno. O resultado de ontem foi o mesmo.

O principal erro que Eduardo Paes repete é justamente aquele que ele próprio admitiu em entrevista: tentar atrapalhar Garotinho. E, nesse caso, no “tapetão”.

Naquela eleição, Anthony Garotinho foi impedido de concorrer na reta final da disputa.

Disse também que, ao tentar impedir, por exemplo, a participação de Garotinho nos debates, Paes acabou criando uma imagem negativa para sua própria campanha. A estratégia de tentar retirar um adversário da disputa produziu exatamente o efeito contrário ao desejado.

Outro efeito da movimentação foi o crescimento de Douglas Ruas nas pesquisas. O candidato aparecia em ascensão e, naquele momento, apresentava uma rejeição significativamente menor que a de Paes.

Dito isso, vamos à atualização sobre os acontecimentos dos últimos dias.

Fiz a publicação anterior há mais de um mês e, de lá para cá, Eduardo Paes insistiu nos ataques a Garotinho, utilizando o Judiciário novamente.

Foi quando aconteceu o debate da Globo, faltando poucos dias para a eleição.

Garotinho liquidou Eduardo Paes naquele debate, gerando grande repercussão nas redes sociais.

A campanha de Eduardo Paes identificou, no pós-debate, uma grande subida de Garotinho.

Na sexta-feira, veio o novo ataque de Paes contra Garotinho, utilizando mais uma vez o Judiciário.

A pedido de Eduardo Paes, uma decisão do ministro Floriano Marques revogou a liminar antes concedida por ele próprio para que Garotinho realizasse campanha até a decisão final sobre o registro de candidatura.

A decisão em si não alterava o cenário, uma vez que, como já dito aqui no blog, os votos de Garotinho seriam contabilizados para a aferição de segundo turno até a decisão definitiva.

O que causou estranheza foi o ministro colocar, ao final da sua decisão, que os votos de Garotinho seriam anulados. Isso gerou um grande efeito midiático.

E foi aí a pá de cal em Eduardo Paes.

Douglas Ruas, muito bem assessorado, utilizou a decisão para defender a candidatura de Garotinho e para demonstrar que o “sistema” estava atuando no Rio de Janeiro a favor de Paes e Lula, gerando um forte efeito antissistema. Naquela ocasião, mais de 40% dos eleitores ainda não haviam decidido o voto.

O resultado veio e, hoje, por ironia do destino, Eduardo Paes depende dos votos de Garotinho, sendo ele próprio o autor da impugnação da candidatura do ex-governador.

Garotinho tem algumas opções.

O ex-governador pode pedir a desistência do recurso — e, com isso, Ruas deve ser proclamado de imediato governador eleito no primeiro turno — ou pode seguir com o recurso. Ambos são um direito seu.

O interessante seria ver os advogados de Eduardo Paes terem que sustentar o deferimento do registro de Garotinho, uma vez que eles mesmos foram os impugnantes.

Não tenham dúvidas de que irão tentar mais alguma manobra para salvar a candidatura de Paes.

Só falta combinar com o povo.

Relembre a primeira publicação no link abaixo:

Possível segundo turno no Rio e os erros de estratégia de Paes

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