Audiência aborda apoio a famílias atípicas

O acolhimento às famílias atípicas foi tema de audiência pública realizada pela Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes na tarde desta segunda-feira (27), por requerimento do presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Minorias, vereador Leon Gomes (PDT). A necessidade de apoio aos pais e a inclusão foram assuntos abordados pelos convidados.

“Nós estamos lutando para colocar a inclusão no lugar em que ela merece. Que não seja um assunto secundário a ser falado e tratado, mas que possa ter a devida prioridade. É por isso que nós temos lutado todos os dias para que as pessoas possam se posicionar, se engajar, e nós possamos falar de forma mais clara e mais ampla sobre essas questões”, Leon Gomes.

A assistente social da Associação de Proteção e Orientação aos Excepcionais (APOE), Fernanda Coutinho, explicou a atuação da instituição que atende pessoas com deficiências intelectual, auditiva, transtorno do espectro autista e múltiplas no município. Atualmente, 324 famílias são assistidas. “Com o objetivo principal pela luta e defesa dos direitos das pessoas com deficiência, busca-se assim a autonomia, a qualidade de vida, cidadania, inclusão social e sua participação na sociedade”, disse, destacando o grupo de apoio às famílias, que se reúne toda semana.

Bisavó atípica, a servidora pública Valquíria falou sobre os desafios enfrentados.“O autismo chegou à minha vida, como de todos, de forma inesperada. Apesar de eu ser profissional de Saúde, não tive oportunidade de conviver com autismo na minha vida profissional. Ele chegou três anos atrás através de uma bisneta”, contou. “É uma autista de grau leve pela medicina, mas a gente encontra dificuldades. Quando eu recebi a notícia, disse para mim mesma: eu preciso ser o suporte dessa família”, explicou, ressaltando que o objetivo é trazer para perto da bisneta toda rede de apoio e proporcionar qualidade de vida.

A psicopedagoga Adriana Colares compartilhou a própria experiência e as dificuldades no apoio às famílias atípicas. “Nós, como terapeutas, ficamos como intermediários entre essas famílias e instituições, tentando desenvolver esse indivíduo na sua potencialidade e sua individualidade, mas acima de tudo mostrando que ele é um cidadão, que ele tem competências”, disse.

Assistente Social e coordenadora multiprofissional da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia, Adriana de Lima falou sobre Educação Inclusiva. “Acho que já é sabido por todos, temos uma rede muito extensa, são 234 unidades escolares, 54 mil alunos. No meio desse caminho, ainda tivemos que lidar com a pandemia que acabou nos impondo o fechamento de escolas por um longo período”, afirmou.

“Enquanto Secretaria, a gente vem em um trabalho muito intenso de tentar reestruturar essa rede. Dentro da Educação Inclusiva, a gente vem tentando muito romper a visão pedagógica conteudista e entender a importância da BNCC, que é desenvolver habilidades”, disse Adriana de Lima. Ela destacou as capacitações que estão sendo realizadas.

Também participaram o diretor do Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente, Átila Lírio; a diretora da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Luciana Hadadd; a assistente social da APAE, Mariana Lopes; a psicopedagoga Mariane Gambine; o coordenador da Fundação para Infância e Adolescência (FIA) de Campos, Bruno Cordeiro; a advogada e mãe atípica, Ester Elias; o conselheiro tutelar, Ramires Menezes; o presidente da Fundação Municipal de Infância e Juventude, Fabiano de Paula; a presidente da Associação de Pais de Pessoas Especiais (APAPE), Naira Peçanha; o representante da Guarda Civil Municipal, Ivan de Souza; e a deputada federal, Clarissa Garotinho.

Estiveram presentes na audiência o presidente da Câmara, Fabio Ribeiro (PSD), os vereadores Luciano Rio Lu (PDT), Marcione da Farmácia (DEM), Pastor Marcos Elias (PSC), Silvinho Martins (MDB) e Bruno Pezão (PL).

Ascom*

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