Aije Verde Oliva: MPF pede absolvição de Bruno Dauaire e inelegibilidade a Wladimir por ser da ‘família Garotinho’

Notícia com opinião

A Procuradoria Regional Eleitoral emitiu, nessa sexta-feira (23), parecer final na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pede a cassação do mandato de Bruno Dauaire e inelegibilidade a Wladimir Garotinho, referente as eleições de 2018, por suposta compra de votos e apoio do tráfico. O parecer pede a absolvição de Bruno e a inelegibilidade de Wladimir.

A Aije foi proposta em 2018 pelo Diretório Estadual do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade/RJ) e a Coligação Mudar é Possível (PSOL-PCB), que investiga uma suposta compra de votos sob o valor irrisório de R$ 50 e outras condutas vedadas, conforme Tribuna NF publicou diversas vezes.

Na denúncia sobre compra de votos no bairro da Penha, a procuradora pediu o arquivamento da denúncia contra Bruno e Wladimir por falta de provas.

Tribuna NF acompanha este caso desde o início e causou estranheza o parecer na segunda parte da denúncia, referente a um suposto apoio do tráfico, identificado nas interceptações da operação Verde Oliva.

Em seu parecer, a procuradora pede a absolvição de Bruno Dauaire e a condenação de Wladimir Garotinho, que não perde o mandato, uma vez que deixou o cargo de deputado em 2018, mas ficaria inelegível por 8 anos.

“Portanto, o êxito de WLADIMIR GAROTINHO, em 2018, que resultou na sua diplomação ao cargo de Deputado Federal, é manifestamente ilegítimo. Considerando que o representado não mais ostenta o referido cargo eletivo, deve ser condenado à declaração de inelegibilidade por 08 (oito) anos e à multa no grau máximo de cinquenta mil UFIR.

Em relação ao candidato BRUNO FELGUEIRA DAUAIRE, entendo que o conjunto probatório é escasso no que tange à sua influência e benefício eleitoral pelas ingerências realizadas na comunidade El Dourado.“, diz a procuradora.

Para quem acompanhou o caso esperava-se que o resultado seria o inverso. Pedido de condenação a Bruno e absolvição a Wladimir.

Primeiro ponto é que um dos mencionados por oferecer suposta vantagem aos líderes da comunidade, era nomeado no gabinete de Bruno. Porém isso sequer foi levantado durante a instrução do processo pelo MPF e nem pelos autores da ação, que por fim abandonaram o processo.

Segundo ponto, a procuradora diz em seu parecer que um dos acusados é ‘próximo da família Garotinho’, ficando evidente que está pedindo a condenação de Wladimir pelo sobrenome, e não por algum fato concreto de participação no suposto esquema.

Terceiro ponto, o parecer diz um cabo eleitoral disse que Wladimir teria oferecido dinheiro para poder fazer campanha na comunidade. Quem acompanha a política local sabe que esse ponto está longe de ser uma verdade. Aliás, as próprias interceptações revelam os lideres da comunidade reclamando que nada estava cumprido, como era de esperar.

A família Garotinho sempre foi campeã de votos na região do “El Dourado”, em Guarus, o que enfraquece ainda mais a ação em relação a Wladimir.

As interceptações da operação Verde Oliva também flagraram conversas relacionadas a outros candidatos de diferentes correntes políticas, porém não foram alvos de investigação.

O Tribunal Regional Eleitoral deve marcar o julgamento nos próximos dias.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *