Política

TRE-RJ aceita AIJE de Waguinho contra Rueda e Canella por R$ 80 milhões em emendas para Belford Roxo

Rueda, Waguinho e Canella disputa eleitoral
Eleições 2026: Rueda, Waguinho e Canella

Ação eleitoral pede cassação e inelegibilidade de Antonio Rueda e Márcio Canella e questiona destinação de recursos públicos ao município

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) determinou o prosseguimento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada por Waguinho contra Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil e candidato a deputado federal, e Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e candidato a deputado estadual.

A ação questiona a destinação de aproximadamente R$ 80 milhões em emendas parlamentares para Belford Roxo, nos exercícios de 2025 e 2026, e aponta suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2026.

O objetivo da AIJE é apurar as condutas atribuídas aos investigados e, caso sejam comprovadas, aplicar as sanções eleitorais requeridas na ação, incluindo cassação e inelegibilidade.

R$ 80 milhões em emendas parlamentares para Belford Roxo

Segundo a ação apresentada por Waguinho, os recursos teriam sido destinados a Belford Roxo por meio de emendas de comissão orçamentária vinculadas genericamente à “Liderança do União Brasil”.

A petição questiona a identificação dos responsáveis pelas indicações e afirma que o modelo utilizado teria dificultado a definição da autoria material das emendas, chamadas na ação de “emendas sem dono”.

Para Waguinho, a estrutura partidária e parlamentar teria sido utilizada para concentrar recursos públicos em um determinado reduto político, com potencial conversão desse capital político em vantagem eleitoral.

A acusação sustenta que a prática poderia representar desvio de finalidade com propósito eleitoral e quebra da igualdade de oportunidades na eleição de 2026.

AIJE questiona atuação de Rueda nas emendas

Um dos pontos levantados pela ação é a participação de Antonio Rueda, que, além de presidente nacional do União Brasil, disputa uma vaga de deputado federal.

A petição questiona a atuação de dirigente partidário sem mandato parlamentar na indicação ou articulação das emendas e menciona entendimento relacionado à ADPF 854, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a argumentação apresentada na AIJE, a autoria das indicações de emendas parlamentares deve estar devidamente identificada, especialmente diante dos parâmetros discutidos pelo STF no caso.

Waguinho pede documentos à Câmara, Ministério da Saúde e Prefeitura

Para esclarecer quem efetivamente indicou os recursos destinados a Belford Roxo, Waguinho pediu a obtenção de documentos e metadados da Câmara dos Deputados, da Liderança do União Brasil, do Ministério da Saúde e da Prefeitura de Belford Roxo.

A intenção é identificar os responsáveis pelas indicações e verificar como as demandas foram recebidas e formalizadas.

Pedido ao STF envolve a ADPF 854

A AIJE também pediu ao Supremo Tribunal Federal a manifestação integral apresentada pelo União Brasil na ADPF 854.

Segundo a ação, o documento poderia ajudar a verificar uma eventual compatibilidade entre o procedimento formal informado pelo partido ao STF e a forma como ocorreram as destinações das emendas questionadas em Belford Roxo.

O relator do processo no TRE-RJ, desembargador Fernando Cerqueira Chagas, não acolheu esse pedido. Na decisão, afirmou que os autos da ADPF 854 são públicos e que o documento poderia ter sido juntado pelo próprio autor no momento do ajuizamento da AIJE.

TRE-RJ determina defesa de Rueda e Canella

Ao analisar a petição inicial, o desembargador Fernando Cerqueira Chagas considerou que a AIJE preenchia os requisitos formais de admissibilidade e apresentava indícios de condutas supostamente abusivas.

Com isso, determinou o regular processamento da ação.

Rueda e Canella terão cinco dias para apresentar defesa, juntar documentos e indicar testemunhas, caso considerem necessário.

A Procuradoria Regional Eleitoral também foi comunicada para se manifestar no processo.

Cassação e inelegibilidade estão entre as consequências buscadas

A AIJE coloca em discussão a possível utilização de recursos públicos e de estruturas políticas com impacto sobre a disputa eleitoral de 2026.

Caso as acusações sejam comprovadas e os pedidos sejam acolhidos pela Justiça Eleitoral, Rueda e Canella poderão sofrer as sanções eleitorais previstas para as condutas reconhecidas, incluindo cassação e inelegibilidade.

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