03/03/2026
Política

Relatório da PF sobre Bacellar entra em fase decisiva no STF; veja quais são os próximos passos

Rodrigo Bacellar

Com a conclusão do relatório da Polícia Federal e o envio do documento ao Supremo Tribunal Federal, o inquérito que investiga o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, entra agora em uma etapa considerada decisiva. A definição sobre o futuro do caso caberá à Procuradoria-Geral da República, que terá de avaliar se apresenta denúncia, solicita novas diligências ou pede o arquivamento.

O procedimento segue o rito adotado em investigações que tramitam em tribunais superiores. Após concluir o inquérito, a Polícia Federal encaminha o relatório ao ministro relator no STF. Em seguida, o magistrado abre vista à PGR, responsável por examinar as provas reunidas e se manifestar formalmente.

Segundo o Ministério Público Federal, o relatório já foi protocolado no Supremo e, somente depois, enviado à Procuradoria. O órgão informou que não antecipa posicionamentos processuais.

Na prática, a PGR tem três caminhos possíveis:

  • Oferecer denúncia – Se entender que há indícios suficientes de autoria e materialidade, o procurador-geral pode apresentar denúncia ao STF. Caso o ministro relator aceite a acusação, Bacellar se tornará réu e o inquérito será convertido em ação penal.
  • Pedir novas diligências – Se considerar que o conjunto probatório ainda é insuficiente, a PGR pode devolver o caso à Polícia Federal para aprofundamento das investigações.
  • Requerer o arquivamento – Se concluir que não há elementos mínimos para sustentar uma acusação, poderá solicitar o arquivamento do inquérito.

Decisão sobre a competência

Antes mesmo da manifestação da PGR, o ministro relator pode enfrentar uma questão preliminar: a manutenção ou não da competência do STF para julgar o caso. O inquérito chegou à Suprema Corte por conexão com a ADPF 635, a chamada ADPF das Favelas, que determinou medidas para operações policiais no Rio e autorizou a atuação da PF em investigações contra milícias e tráfico interestadual e internacional. Como o suposto vazamento teria ocorrido no contexto dessas apurações, o Supremo assumiu a competência.

Perda de foro é possível?

Especialistas ouvidos pelo GLOBO consideram remota a possibilidade de o caso descer à primeira instância. O entendimento atual do STF estabelece que o foro por prerrogativa de função é mantido quando o crime é cometido durante o mandato e em razão dele.

Como as suspeitas contra Bacellar dizem respeito a fatos que teriam ocorrido no exercício do cargo e ligados à sua atuação parlamentar, a tendência é de permanência no Supremo — salvo se a própria Corte se declarar incompetente, hipótese vista como improvável.

Cenários possíveis

Se a denúncia for apresentada e recebida, o caso avança para a fase de instrução, com coleta de provas, oitivas de testemunhas e interrogatórios. Caso haja pedido de diligências complementares, o inquérito pode se prolongar por meses. Já o arquivamento encerraria, ao menos por ora, a investigação.

Com o relatório já protocolado no STF, o caso entra agora em uma fase menos visível, porém decisiva. A manifestação da PGR deverá definir se as suspeitas permanecerão no campo investigativo ou se se transformarão em processo criminal perante a Suprema Corte.

Fonte: O Globo

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