Câmara inicia processo de impeachment contra Trump; presidente reage

São Paulo — A presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, anunciou nesta terça-feira (24) que a Câmara está abrindo um processo de impeachment contra Donald Trump, o presidente norte-americano.

“As ações de hoje do presidente mostram que ele violou a nossa Constituição”, disse a presidente da Câmara em pronunciamento. “Ele admitiu ter pedido ao presidente da Ucrânia que tomasse medidas que iriam beneficiá-lo”, continuou.

Para Pelosi, a atitude de Trump “traiu a integridade das eleições”, o que justifica o início de um processo de impeachment. “O presidente precisa ser responsabilizado. Ninguém está acima da lei”, finalizou.

Segundo sondagem da rede de notícias CNN, 161 dos 235 democratas na Câmara dos Representantes já se manifestaram a favor do impeachment. A casa reúne 435 assentos e é hoje controlada pelos democratas.

Repercussão

O presidente Donald Trump publicou uma série de tuítes raivosos momentos depois da fala de Pelosi. Chamando o ato de “assédio presidencial”, negou que houvesse qualquer tipo de gravação da ligação que ele teria feito com o presidente da Ucrânia, na qual o teria pressionado a envolver o filho de Joe Biden em um escândalo de corrupção. Biden é o líder da corrida presidencial do lado dos democratas e seu potencial rival em 2020.

“É uma caça às bruxas”, publicou em outra mensagem. “Um dia tão importante nas Nações Unidas, tanto trabalho e tanto sucesso e os democratas propositalmente precisam arruína-lo com mais caça às bruxas. Tão ruim para nosso país”. Veja abaixo as mensagens:

Por fim, Trump tuítou uma imagem sobre o que alega ser a aprovação do seu governo, 53%, segundo dados da empresa de pesquisas Rasmussen Reports referentes ao dia 24 de setembro. Na mesma sondagem, 45% dos americanos desaprovaram a sua gestão.

Os números obtidos por essa pesquisa divergem de outra, conduzida pela consultoria Gallup. De acordo com os dados mais recentes, do dia 15 de setembro, a reprovação de Trump era de 54% e a aprovação de 43%.

O caso que pode levar ao impeachment de Donald Trump

O pedido de impeachment acontece após alegações de que Donald Trump teria pressionado o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a investigar seu adversário político, Joe Biden, candidato que lidera a corrida democrata e pode se consolidar como seu rival nas eleições americanas de 2020.

Congressistas republicanos têm se mantido em silêncio em meio a relatos sobre as ações do presidente ao mesmo tempo em que a Casa Branca reteve o envio de US$ 250 milhões em ajuda para os países do Leste Europeu. No primeiro dia da Assembleia Geral da ONU em Nova York, Trump entrou em contradição.

Primeiro, reconheceu a ligação e disse que não enviaria nenhuma ajuda à Ucrânia por corrupção. “Por que você daria dinheiro a um país que você acha que é corrupto?”, disse. Questionado mais tarde se o presidente ucraniano receberia o dinheiro em troca da investigação, negou. “Eu não fiz isso. Se você vir a ligação (transcrição), ficará muito surpreso”, disse ele a repórteres.

Seus comentários deram margem a questionamentos sobre se o seu gabinete teria pressionado outro governo estrangeiro para obter vantagem em sua campanha de reeleição. Trump tem buscado, sem evidências, implicar Biden e seu filho em um amplo esquema de corrupção que há tempos assombra a Ucrânia.

Hunter Biden integrou a diretoria de uma companhia de gás ucraniana ao mesmo tempo em que seu pai foi vice-presidente dos EUA e coordenava as relações diplomáticas com Kiev sob o governo Obama. Apesar das denúncias, não há nenhuma evidência de qualquer crime cometido por Biden ou o filho.

Como é o processo de impeachment nos Estados Unidos?

Pedidos de impeachment nos Estados Unidos se iniciam na Câmara dos Representantes, onde necessitam da maioria simples dos 435 representantes para ser aprovado (hoje, a casa é controlada por uma maioria democrata, 235). Uma vez isso tenha acontecido, o processo vai para o Senado, no qual acontece o julgamento político sobre os atos do presidente. Dois terços do Senado precisam votar do impeachment para que ele se consolide.

Fonte: Exame

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