28/08/2025
Polícia

Refit, de Ricardo Magro, passou a abastecer esquema do PCC com combustível, diz força-tarefa da operação Carbono Oculto

Refit nega qualquer ligação com crime organizado e afirma não ter sido alvo da operação desta quinta (28)

A operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis, trouxe à tona evidências sobre o papel da empresa Manguinhos, liderada pelo advogado Ricardo Magro. As investigações indicam que a distribuidora Rodopetro funcionou como intermediária no fornecimento de combustíveis para organizações criminosas, informam os jornalistas Nicola Pamplona e Alexa Salomão, do jornal Folha de São Paulo.

De acordo com os dados apurados, a Rodopetro se tornou essencial para atender empresas que perderam seus fornecedores após a interrupção das atividades da refinaria Copape. As autoridades afirmam que a distribuidora intensificou consideravelmente suas compras junto ao Grupo Manguinhos para suprir essa demanda.

A Refit, atual denominação da Refinaria de Manguinhos, afirmou que não foi alvo da operação realizada nesta quinta-feira (28) e negou qualquer ligação com o crime organizado. Os mandados de busca e apreensão executados no Rio de Janeiro focaram em instalações da Rodopetro, incluindo um endereço compartilhado com a Refit na zona norte da capital fluminense, onde diversas distribuidoras utilizam um terminal de abastecimento.

Até julho de 2024, a Copape havia sido uma das principais fornecedoras para o PCC, operando em conjunto com a distribuidora Aster, ambas pertencentes ao conglomerado empresarial dirigido por Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva. Após a revogação do registro operacional dessas empresas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Rodopetro emergiu como o centro das novas atividades de distribuição do grupo.

As investigações revelam que a Rodopetro começou a redirecionar combustíveis importados — anteriormente fornecidos pela Copape/Aster — para várias distribuidoras ligadas à organização criminosa. O aumento nas vendas da Rodopetro foi notável, com novos contratos firmados com empresas como Orizona, Maximus e Estrela. Estas distribuidores, que não compravam produtos da Rodopetro no primeiro semestre de 2024, passaram a realizar aquisições substanciais logo depois.

Por exemplo, as investigações apontam que a Orizona adquiriu mais de R$ 3,1 bilhões em combustíveis da Rodopetro; já a Maximus comprou mais de R$ 1,2 bilhão e a Estrela cerca de R$ 393 milhões.

A força-tarefa composta pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público declarou que a Rodopetro se tornou o principal fornecedor dessas distribuidoras associadas ao crime organizado. O grupo realizou operações em locais relacionados à empresa em Duque de Caxias e na Refinaria de Manguinhos.

Em entrevista realizada em Brasília, representantes do governo evitaram comentar sobre possíveis envolvimentos da Refit nos crimes sob investigação, ressaltando que o caso está sob sigilo.

A Refit reafirmou em sua nota que não foi alvo da operação mencionada e negou qualquer relação societária com a Rodopetro. Além disso, destacou seu empenho na luta contra o crime organizado, mencionando ações proativas ao relatar infiltrações criminosas no setor de combustíveis e práticas ilegais como adulteração com metanol.

Por fim, ressalta-se que o Grupo Manguinhos enfrenta frequentes acusações relacionadas à concorrência desleal por operar sem o pagamento devido de impostos. Sua dívida acumulada com os estados do Rio de Janeiro e São Paulo ultrapassa R$ 20 bilhões. No estado carioca, firmou um acordo em 2023 para parcelar essa dívida, enquanto as disputas permanecem ativas em São Paulo.

Fonte: Folha de São Paulo

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