Polícia prende ex-motorista de socialite; réu por tentativa de feminicídio, estava foragido desde novembro

A polícia do RJ prendeu nesta sexta-feira (29) José Marcos Chaves Ribeiro, ex-motorista da socialite Regina Lemos Gonçalves. José Marcos estava foragido desde novembro do ano passado, na Operação Dama de Ouros, e foi encontrado por agentes da 12ª DP (Copacabana) e do 23º BPM (Leblon) em São Conrado, em uma das casas da própria Regina
O imóvel fica na Rua Capuri e pertencia à irmã de Regina, que já faleceu. José Marcos foi localizado por João Chamarelli, um amigo e representante da família da socialite, que mora perto da casa, estranhou a movimentação no local e chamou a polícia.
José Marcos é réu acusado de tentativa de feminicídio, sequestro e cárcere privado, violência psicológica e furto qualificado contra Regina — viúva e herdeira do empresário Nestor Gonçalves, fundador da Copag, famosa marca de cartas de baralho.
“Essa prisão é importantíssima porque vai ajudar muito no inquérito que foi instaurado para apurar a dilapidação do patrimônio da Dona Regina”, disse o delegado Angelo Lages.
“Ela herdou uma fortuna, e todo esse patrimônio foi dilapidado ao longo dos anos. A gente sabe que o José Marcos é um dos principais responsáveis por essa dilapidação, mas já há indícios de que ele não agia sozinho”, emendou.
Enquanto esteve foragido, José Marcos chegou a ir para Minas Gerais, mas depois retornou ao Rio.
Em nota, a defesa de José Marcos afirmou que ele é inocente e que há “números fatos ainda não conhecidos pela sociedade, mas que já estão sendo submetidos às autoridades competentes e serão devidamente esclarecidos no âmbito do processo” (leia a nota na íntegra ao final da reportagem).
Casamento e isolamento
O Fantástico revelou o caso em abril de 2024. A família da socialite acusa o ex-motorista de tê-la mantido, durante 10 anos, isolada dentro do próprio apartamento, no Edifício Chopin, ao lado do Copacabana Palace, sem contato com amigos e parentes.
Já José Marcos afirmava ter sido casado com Regina, o que ela negou. Existe uma escritura de união estável registrada em 2021. Na época, José Marcos estava com 50 anos, e Regina, 85. No documento, constava que ambos estavam em pleno uso de suas faculdades mentais — principalmente Regina, porque foram apresentados 2 atestados psiquiátricos para comprovar a saúde dela.
Em dezembro de 2023, o ex-motorista entregou à Justiça um 3º laudo, de outro psiquiatra, dizendo exatamente o contrário: Regina apresentava quadro de demência avançada com déficit cognitivo grave que a incapacitava para a prática dos atos da vida civil. Com esse documento, José Marcos obteve na Justiça o direito de administrar todos os bens de Regina.
“Ela nem admitia chamar eu como motorista. A gente dormia junto e tudo”, afirmou Marcos ao Fantástico. “Treze anos com ela. Quem que está do lado dela? Quem que dá remédio? Quem que leva ela ao médico? Eu faço tudo por ela. Fico 24 horas ao lado dela. Nunca abandonei.”
Há 10 dias, a Vara do Idoso devolveu a curatela da gestão do patrimônio de Regina ao sobrinho dela, Carlos Queiroz. Antes, a curatela estava com um curador dativo nomeado pelo Estado, que substituiu a curatela anteriormente exercida por José Marcos.
Desvios e lesão
Mas, segundo a defesa da socialite, há provas de que José Marcos “dilapidou o patrimônio” dela.
Já a acusação de tentativa de feminicídio está baseada em uma internação no dia 30 de dezembro de 2021, quando Regina foi parar no hospital com uma lesão na cabeça, passou por cirurgia e só teve alta em janeiro de 2022. Mas ninguém da família foi comunicado do fato.
Após diversos depoimentos, inclusão de laudos médicos e outros detalhes do período em que Regina viveu com José Marcos no Chopin, a Promotoria ofereceu denúncia contra o motorista e pediu sua prisão, o que foi aceito pela Justiça.
‘Um facínora’
Em novembro, quando a polícia passou a tentar prender José Marcos, o empresário João Chamarelli, representante da família, divulgou uma nota com “palavras da própria Regina”.
“O golpe financeiro e patrimonial teria sido elaborado por José Marcos em conluio com advogados e ex-funcionários”, afirmou. “Regina relatou que jamais imaginaria estar cercada por uma organização criminosa tão ousada, capaz de implantar terrores psicológicos e físicos de toda ordem”, prosseguiu.
“Sou uma sobrevivente da sanha inescrupulosa de um facínora e de ambiciosos sem limites. Quero ver punidos, presos.”
O delegado Angelo Lages disse à época que José Marcos estava “se mantendo como um fantasma” e que ele passou pela Rocinha. A casa onde ele foi preso nesta sexta fica perto da favela.
Nota da defesa
“Há inúmeros fatos ainda não conhecidos pela sociedade, mas que já estão sendo submetidos às autoridades competentes e serão devidamente esclarecidos no âmbito do processo, que tramita sob sigilo.
O Sr. José Marcos Chaves Ribeiro afirma sua inocência e está confiante de que, ao final, todas as acusações serão devidamente esclarecidas, levando à sua necessária absolvição.
Estamos à disposição para esclarecer eventuais dúvidas, sempre observando os limites éticos e legais que o caso exige.”
Com informações G1.