23/02/2026
Polícia

Operação em 4 estados mira grupo que movimentou meio bilhão de reais com furto de cabos e receptação

DRF policia Easy Resize.com

Policiais civis da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) deflagram, nesta segunda-feira (23/02), a “Operação Caminhos do Cobre”, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa envolvida com furto de cabos, receptação e lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, o grupo já movimentou mais de R$ 400 milhões e possui estrutura interestadual. São cumpridos mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. No Rio, a ofensiva acontece nos municípios do Rio de Janeiro, Nilópolis, Mesquita e Itaguaí.

A investigação realizada pela unidade identificou uma estrutura criminosa organizada e financeiramente sofisticada, com divisão clara de funções e atuação interestadual. Conforme o apurado, o modus operandi do crime era bem definido, sendo dividido entre furto de cabos, receptação dos materiais e a movimentação financeira.

Os furtos ocorriam, principalmente, durante a madrugada, onde caminhões eram utilizados para arrancar cabos subterrâneos, enquanto motocicletas atuavam como batedores para monitorar a movimentação policial e bloquear vias. Após a subtração, os criminosos transportavam os materiais para pontos específicos, onde os mesmos passavam por fracionamentos. Em seguida, os itens eram comercializados por meio de ferros-velhos e empresas de reciclagem, previamente vinculadas ao grupo.

Por fim, a parte financeira atuava com a emissão de notas fiscais falsas, para conferir aparência de legalidade às transações. Os valores eram fragmentados por meio de transferências bancárias em sequência, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro.

Para a realização do crime, os bandidos do esquema eram divididos entre núcleo estratégico, responsável pela liderança e coordenação das atividades criminosas, o núcleo operacional, encarregado da execução dos furtos e do transporte, o núcleo de receptação, formado por estabelecimentos responsáveis pela revenda do material subtraído e o núcleo financeiro, voltado à lavagem do dinheiro.

Ainda de acordo com a investigação, o grupo criminoso movimentou R$ 417.954.201 durante o esquema. Sozinho, o principal investigado teria movimentado R$ 97 milhões, valor incompatível com sua capacidade econômica declarada. Também, uma das empresas centrais do esquema registrou movimentação superior a R$ 90 milhões.

A operação desta segunda, portanto, tem o objetivo de interromper toda a cadeia criminosa e garantir a recuperação patrimonial vinculada às atividades ilícitas. Além da operação realizada contra os envolvidos, a DRF também solicitou o sequestro de veículos e imóveis do grupo, bem como o bloqueio total dos ativos financeiros do grupo.

A ação faz parte da Operação Caminhos do Cobre, iniciativa contínua para combater o furto de cabos e materiais metálicos que mira toda a cadeia criminosa, desde o furtador até as metalúrgicas.

Desde setembro de 2024, a DRF e outras delegacias da instituição, realizaram mais de 430 fiscalizações em ferros-velhos, com cerca de 200 prisões de responsáveis pelos estabelecimentos nestas ações. Neste mesmo período, cerca de 300 toneladas de fios de cobre e materiais metálicos foram apreendidas pela especializada. Além disso, houve o pedido de bloqueio de aproximadamente R$ 240 milhões, consolidando a Operação Caminhos do Cobre como uma das maiores ofensivas contra a infraestrutura financeira do crime patrimonial no Estado.

As ações visam também descapitalizar financeiramente os braços operacionais do tráfico, responsáveis por fomentar esse tipo de crime.

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