Master tinha só R$ 4 milhões em caixa quando foi liquidado, diz diretor do Banco Central em depoimento à PF

Em depoimento à Polícia Federal (PF), o diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton Aquino, afirmou que o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa quando teve sua liquidação extrajudicial decretada pela autoridade monetária, em novembro do ano passado.
A oitiva foi realizada em dezembro de 2025 por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
— Dada a crise de liquidez do Master, e com R$ 80 bilhões, o acompanhamento por parte da supervisão era fundamental (…). Para pontuar isso claramente, um banco de R$ 80 bi tem liquidez de R$ 3 bi, R$ 4 bi livres. O Master antes da liquidação só tinha R$ 4 milhões em caixa — disse Aquino a Ubiratan Cazetta, chefe de gabinete do procurador-geral da república, Paulo Gonet.
BRB
Aquino também afirmou que o BRB deverá fazer uma provisão em seu balanço, por causa de ativos inexistentes do Master, de mais de R$ 5 bilhões. O banco estatal do Distrito Federal ainda mantém em seu balanço ao menos R$ 2,3 bilhões de créditos do Banco Master que são inexistentes. Há também ativos que são ilíquidos ou de difícil recuperação.
— A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. (…). A probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste — disse o diretor de fiscalização do BC à delegada Janaina Palazzo, da PF, durante o depoimento.
Aquino disse à PF que, após o BC ter identificado que a carteira de crédito do Master adquirida pelo BRB era composta por “créditos inexistentes”, o então presidente do banco estatal do Distrito Federal iniciou um processo de internalização dos créditos, ou seja, de troca dos créditos inexistentes por ativos do Master com lastro. O diretor do BC afirmou, no entanto, que o BRB não conseguiu encontrar o suficiente para cobrir o rombo.
— No curso do processo, ele não consegue internalizar tudo, chamar todos os ativos, trocar. (…) A gente mostra claramente que ainda da Tirreno dentro do balanço do BRB tem mais de R$ 2,3 bilhões ainda faltando, que não se conseguiu trocar por ativos possíveis dentro do Master, ou seja, não tinha mais ativos dentro do balanço do Master possíveis de troca — afirmou Aquino.
Pedido
Aquino diz que, a pedido do Ministério Público Federal, o BC realizou uma auditoria nas substituições de ativos do Master feitas pelo BRB em 2024 e 2025 e que concluiu que deve-se provisionar cerca de R$ 2,6 bilhões provenientes de créditos falsos da empresa Tirreno no balanço do BRB.
O diretor do BC cita um ofício enviado ao Supremo Tribunal Federal, como resultado de auditorias pedidas pelo Ministério Público Federal nas carteiras de crédito do Master adquiridas pelo BRB entre 2024 e 2025:
— Neste ofício (enviado ao STF) tem um relato do Banco Central, a gente deixa claro que deve-se provisionar quase R$ 2,6 bilhões de Tirreno dentro do balanço do BRB, porque R$ 2 bisão originários da Tirreno e tem mais R$ 580 milhões que não foram recebidos da Tirreno. Então, aqui já tem quase R$ 2,7 bilhões de provisão, e a gente também, em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais. Tem que ser feita uma provisão de mais R$ 2,2 bilhões — disse Aquino.
Com informações Extra.


