Deputado Rogério Correia pede convocação de Cláudio Castro e Ibaneis Rocha à CPMI do INSS

Por Cleber Lourenço, do portal ICL Notícia
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou dois requerimentos à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS solicitando a convocação dos governadores Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, e Ibaneis Rocha, do Distrito Federal. Os pedidos têm como objetivo esclarecer a atuação dos chefes do Executivo em operações envolvendo o Banco Master, instituição investigada por um esquema bilionário de fraudes que atingiu aposentados, pensionistas e fundos públicos.
No requerimento que trata do Distrito Federal, o parlamentar afirma que, no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal, o nome de Ibaneis Rocha surge como um dos principais interessados na aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O documento registra que Daniel Vorcaro, controlador do banco, declarou em depoimento prestado à Polícia Federal, em 30 de dezembro de 2025, ter tratado pessoalmente com o governador do Distrito Federal sobre negócios envolvendo o Banco Master e o BRB.
Segundo o texto apresentado à CPMI, o BRB chegou a injetar mais de R$ 16 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025. Desse montante, cerca de R$ 12 bilhões teriam sido utilizados na aquisição de carteiras de crédito que não pertenciam ao banco e que, posteriormente, se mostraram desprovidas de lastro. O requerimento também destaca que Vorcaro teria informado aos potenciais compradores sobre os problemas de liquidez da instituição e sobre o uso da solidez do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como elemento para viabilizar os negócios.
O documento cita ainda informações do próprio INSS, segundo as quais o Banco Master mantinha mais de 254 mil empréstimos consignados contratados por aposentados e pensionistas. Em entrevistas à imprensa, o presidente do INSS, Gilberto Waller, afirmou que o órgão identificou grande volume de reclamações e indícios de irregularidades, o que levou à suspensão de novas operações do banco nesse segmento.
No caso do Rio de Janeiro, o requerimento de convocação de Cláudio Castro concentra-se nos investimentos realizados pelo Rioprevidência. De acordo com o texto, o fundo previdenciário estadual aplicou R$ 970 milhões em papéis do Banco Master. Auditoria do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), realizada no início de 2025, já havia apontado irregularidades no Plano Anual de Investimentos, como a ausência de aprovação dentro do prazo legal e a falta de limites claros de alocação por emissor.
O requerimento ressalta que, antes mesmo da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, o TCE-RJ havia comunicado ao governo estadual a existência dessas irregularidades. Ainda assim, segundo o texto, as aplicações foram mantidas.
O então presidente do Rioprevidência acabou exonerado após ser alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal, diante da avaliação de elevado risco e de finalidade incompatível das aplicações com os objetivos do fundo, voltado à aposentadoria complementar dos servidores públicos.
Rogério Correia: ‘depoimentos são fundamentais’
Outro ponto enfatizado no documento é que, conforme o regulamento do Fundo Garantidor de Créditos, os valores aplicados por fundos de investimento, como os recursos do Rioprevidência, não são cobertos pelo mecanismo de proteção. Para Rogério Correia, esse aspecto reforça a gravidade das decisões tomadas e o potencial impacto sobre o pagamento futuro de aposentadorias e pensões.
Ao justificar os pedidos, Rogério Correia afirmou ao ICL Notícias que o caso Banco Master envolve uma rede ampla de relações políticas, financeiras e religiosas que ainda precisam ser devidamente apuradas.
“Sobre o Banco Master, tem muita coisa a ser investigada. A relação, por exemplo, do pastor Zettel, que era o braço direito do cara com a questão do crédito consignado, e algumas igrejas como a Igreja da Lagoinha, que tinha inclusive um banco que provavelmente foi parte do investimento do Banco Master e da roubalheira dos recursos de consignados de aposentados dentro desse banco da Igreja da Lagoinha. Isso vai envolver pastor Zettel, vai envolver o apoio que deram a Nikolas Ferreira, vai envolver pastor Valadão e assim por diante”, afirmou.
O deputado explicou que a convocação dos governadores se insere nesse contexto mais amplo de apuração.
“Duas outras questões também são essenciais e por isso eu apresentei o requerimento: a convocação do governador Ibaneis Rocha, porque ele viabilizou e se reuniu com o Banco Master, facilitando inclusive essa relação do crédito consignado, e a questão previdenciária do Rio de Janeiro, onde o governador Cláudio Castro também fez investimento de fundo da Previdência, de trabalhadores, garis, professores, tudo para dentro do Banco Master para ajudar Daniel Vorcaro. Essas relações são relações que precisam ser de fato investigadas”, disse.
Segundo o parlamentar, o estreito entrelaçamento entre o Banco Master, fundos de previdência e agentes públicos torna os depoimentos dos governadores fundamentais para o regular andamento das investigações conduzidas pela CPMI do INSS.


