05/03/2026
Política

Eduardo Paes oferece vaga ao Senado ao Republicanos para evitar candidatura de Garotinho ou aliança com o PL

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Em mais um movimento estratégico na corrida pelo Palácio Guanabara, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), abriu negociações com o Republicanos e ofereceu ao partido uma das vagas ao Senado em sua chapa. O gesto tem dois objetivos claros: evitar que a legenda feche aliança com o PL e impedir que o ex-governador Anthony Garotinho consolide candidatura própria ao governo.

A outra vaga ao Senado já está comprometida com Benedita da Silva (PT), em acordo costurado diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O encontro entre Paes e o presidente estadual do Republicanos, o deputado federal Luís Carlos Gomes, ocorreu na segunda-feira (3) e é visto como decisivo para o tabuleiro eleitoral de outubro.

Crivella no radar e resistências internas

No Republicanos, o nome natural para a disputa ao Senado seria o do ex-prefeito do Rio e deputado federal Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal. Uma eventual chapa com Crivella e Benedita, ligada à Assembleia de Deus, consolidaria um palanque com forte presença evangélica.

Crivella, no entanto, enfrenta resistências internas e incertezas jurídicas. Pesa contra ele decisão colegiada do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) no caso conhecido como “QG da Propina”, o que poderia abrir questionamentos sobre sua elegibilidade. Ainda assim, seu nome segue como peça central tanto nas articulações de Paes, quanto nos planos do PL.

Movimento para neutralizar Garotinho

Aliados do prefeito admitem que o principal alvo da ofensiva é Garotinho. O ex-governador, que comandou o estado entre 1999 e 2002, e sua esposa, Rosinha, de 2003 a 2006, tem reiterado o desejo de retornar ao Palácio Guanabara. A manobra de Paes é mais uma tentativa de tentar vencer o pleito deste ano já no primeiro turno. Garotinho é forte justamente nas regiões onde ele é fraco: Interior e Baixada Fluminense. Quando governador, Garotinho realizou muitas obras nestes locais, principalmente, abertura e recuperação de ruas e estradas.

Em suas mídias sociais, com considerável número de seguidores, Garotinho vem fazendo denúncias pesadas contra Paes envolvendo, inclusive, seu irmão Guilherme Paes, sócio e diretor do banco BTG Pactual. Em sua artilharia política, o ex-prefeito de Campos também aponta suas armas para a gestão de Castro, com revelações de corrupção em vários setores, como Educação, Segurança, Cedae e conluio com os dirigentes da Alerj.

Na avaliação de estrategistas de Paes, uma candidatura de Garotinho pode viabilizar o surgimento de uma possível “terceira via”, com uma candidatura que circule ente a centro-esquerda e a centro-direita, conquistando os votos dos eleitores insatisfeitos com a polarização direita e esquerda que vislumbra se repetir no pleito deste ano. Ainda tem o agravante de Garotinho ser e ter forte presença no segmento evangélico.

Democracia Cristã surge como alternativa

Mesmo que o Republicanos feche com Paes, Garotinho pode encontrar abrigo no Democracia Cristã (DC), legenda controlada no estado pela família Cozzolino, da Baixada Fluminense. Insatisfeitos com a não indicação do prefeito de Magé, Renato Cozzolino, para compor a chapa de Paes, dirigentes do partido teriam sinalizado abertura para lançar o ex-governador.

A movimentação mantém viva a possibilidade de Garotinho disputar o governo mesmo sem o Republicanos.

Republicanos como “namoradinha” da vez

O Republicanos é hoje o maior partido ainda sem posicionamento formal na disputa estadual. Em 2024, elegeu cinco prefeitos no estado: Miracema, São João de Meriti, Armação de Búzios, Mangaratiba e Paraty, além de três deputados estaduais e três federais. Durante o atual mandato na Alerj, a sigla atuou alinhada ao governo Castro, votando com PL e União Brasil nas principais matérias do Executivo.

Para se fortalecerem eleitoralmente, no início do ano, Flávio e Altineu Cortês, presidente estadual do PL, pensaram em um plano B: montar uma chapa ao Senado com nomes do União Brasil e do Republicanos, com o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella e Crivella no lugar de Claudio Castro. A primeira parte já foi cumprida. A segunda foi adiada, depois da permanência do emponderamento do governador com a megaoperação realizada nas comunidades do Alemão e da Penha. Porém, não foi descartada. Castro pode ficar inelegível no próximo dia 10, com seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo escândalo de contratações irregulares no Ceperj.

A investida de Paes repete estratégia já usada para afastar o MDB de Washington Reis de uma aproximação com o PL, ao oferecer a vaga de vice em sua chapa para a irmã do ex-prefeito de Duque de Caxias, a advogada Jane Reis. Agora, a tentativa é impedir que o Republicanos fortaleça o bloco mais conservador ou dê sustentação à candidatura de Garotinho.

Com informações do blog Diário do Rio.

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