Abradecont entra com Ação Civil Pública contra XP, BTG e Nubank por venda de CDBs do Banco Master

O Instituto Associação Brasileira de Defesa do Consumidor e do Trabalhador (Abradecont) entrou com uma ação civil pública contra XP Investimentos, BTG Pactual e Nubank, por supostas falhas na comercialização de CDBs do Banco Master. A Abradecont alega que investidores foram induzidos a uma falsa sensação de segurança ao terem como principal argumento de venda a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), pouco antes da liquidação extrajudicial do banco decretada pelo Banco Central, em novembro de 2025.
A ação foi ajuizada na última quinta-feira (23) na 6ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro. A Justiça encaminhou o caso para análise inicial do Ministério Público (MPRJ). As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornal O Estado de São Paulo.
Segundo a entidade, XP Investimentos, BTG Pactual e Nubank teriam utilizado a proteção do Fundo Garantidor de Créditos como elemento central de marketing na oferta dos CDBs do Banco Master, criando a percepção de que o investimento não apresentava riscos relevantes.
No processo, a Abradecont afirma que as plataformas “utilizaram publicidade enganosa, omissão deliberada de informações essenciais e manipulação do design de decisão” para atrair investidores, muitos deles com perfil conservador, para um produto classificado como de risco considerável.
Uso do FGC é questionado
De acordo com a ação, não foram devidamente esclarecidas aos investidores as limitações do FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o conglomerado financeiro, e não cada instituição de forma isolada. Esse ponto ganhou relevância após a liquidação do Banco Master, quando clientes descobriram que parte dos recursos aplicados não estava coberta pela garantia.
O documento destaca que, com a incorporação do Will Bank ao grupo Master em 2024, investidores que possuíam aplicações em ambas as instituições ultrapassaram o limite de cobertura do FGC sem terem sido alertados previamente sobre esse risco.
Sinais de alerta ignorados
A Abradecont sustenta ainda que os CDBs continuaram sendo ofertados mesmo diante de “sinais evidentes de deterioração financeira e irregularidades graves” do Banco Master, que acabaram resultando na intervenção do Banco Central. Para a entidade, o papel das corretoras e plataformas foi determinante, já que o banco não possuía uma rede relevante de atendimento e dependia desses intermediários para captar recursos no mercado.
Posição das instituições
Procurado, o Nubank informou que a oferta de novos CDBs do Banco Master foi encerrada em 2024 e que todas as suas operações seguem rigorosamente as normas regulatórias vigentes. XP Investimentos e BTG Pactual declararam que não irão comentar o caso.


