Política

Lula orienta ministros a evitar exploração política da fuga de Flávio Bolsonaro

Lula
Presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que integrantes do governo federal evitem declarações frequentes sobre a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após sua derrota nas eleições presidenciais. A orientação busca impedir que o episódio seja utilizado por aliados do parlamentar para sustentar acusações de perseguição política contra a família Bolsonaro.

Segundo informações da jornalista Tainá Falcão, da CNN Brasil, a estratégia definida no Palácio do Planalto é manter os desdobramentos do caso sob responsabilidade da Polícia Federal (PF) e do Ministério da Justiça. A avaliação de interlocutores do governo é que manifestações sucessivas de ministros poderiam fortalecer o discurso adotado pelo entorno do senador para justificar sua saída do Brasil.

A decisão ocorre mesmo depois de Lula ter criticado publicamente a atitude do adversário. Nesta terça-feira (27), o presidente questionou os motivos que levaram Flávio a deixar o território brasileiro após o resultado das urnas.

“Fico imaginando o que tem na consciência um cidadão que acabou de perder as eleições e foge do seu país”, afirmou Lula.

Na mesma ocasião, o presidente voltou a questionar a conduta do senador e rejeitou eventuais justificativas relacionadas à situação democrática brasileira.

“Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa. E não vá dizer que não há democracia”, declarou.

Apesar do posicionamento público de Lula, integrantes do Executivo consideram necessário evitar que o governo assuma protagonismo político nos desdobramentos da fuga. A intenção é preservar a atuação das instituições responsáveis pelas investigações e reduzir o espaço para acusações de interferência do Planalto.

Declarações de Lula durante a campanha preocupam o governo

A preocupação ganhou força depois que aliados de Flávio Bolsonaro passaram a recuperar declarações feitas pelo presidente durante a disputa eleitoral para tentar justificar a decisão do senador de deixar o país.

Um dos episódios mencionados ocorreu durante um debate presidencial promovido pela Band. Na ocasião, Lula afirmou que Flávio poderia enfrentar dificuldades judiciais após perder a imunidade parlamentar, prevista para fevereiro de 2027, quando investigações envolvendo o senador poderiam avançar.

As declarações passaram a ser utilizadas por integrantes do grupo político de Flávio como argumento para sustentar a narrativa de que o parlamentar estaria sujeito a perseguição depois da derrota eleitoral.

Diante desse cenário, a orientação do Planalto é evitar que novas manifestações de autoridades do Executivo sejam incorporadas ao discurso dos aliados do senador. A avaliação interna é que a condução institucional do caso, sem uma ofensiva pública de ministros, reduz o risco de transformar a fuga em um confronto direto entre o governo e a família Bolsonaro.

Com informações da CNN Brasil e Brasil 247

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