Ex-secretária de Educação do RJ é alvo de buscas em operação contra fraudes de R$ 1,6 bilhão em obras de escolas

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Atribuição Originária Criminal do Procurador-Geral de Justiça, e a Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF/Polícia Civil) deflagraram, nesta quinta-feira (01/10), a Operação Escola de Papel. São cumpridos 19 mandados de busca e apreensão para aprofundar a investigação sobre possíveis desvios de recursos em contratações realizadas entre 2024 e 2025 para reformas de escolas da rede estadual de ensino. A pedido do MPRJ, a Justiça autorizou as buscas e determinou o bloqueio de bens dos investigados no valor de aproximadamente R$ 19 milhões.
A ex-secretária de Estado de Educação, Roberta Barreto, é alvo de busca e apreensão.
Os mandados são cumpridos em endereços ligados a pessoas físicas e jurídicas na capital, na Baixada Fluminense e na Região dos Lagos. A ação conta com o apoio de agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). Entre os investigados estão ex-integrantes da Secretaria de Estado de Educação, um capitão do Corpo de Bombeiros, um policial militar e empresários. A apuração aponta indícios de direcionamento de contratações, superfaturamento e lavagem de dinheiro. São investigados os crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo a investigação, conduzida pela Atribuição Originária Criminal do Procurador-Geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, os recursos saíam da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc), eram repassados às Associações de Apoio às Escolas (AAEs) e chegavam às contas das empresas contratadas para as reformas. As AAEs são entidades sem fins lucrativos, ligadas às unidades escolares, que recebem e administram diretamente recursos públicos destinados à manutenção e a melhorias nas escolas. Os contratos apresentavam indícios de direcionamento e valores superiores ao custo efetivo dos serviços. Após os pagamentos, a diferença era retirada em dinheiro ou transferida para outra empresa vinculada ao grupo, que também realizava saques em espécie, dificultando o rastreamento dos recursos e a identificação de seus destinatários finais.
De acordo com os investigadores, a apreensão de R$ 500 mil em espécie, em 16 de janeiro de 2026, na saída de uma agência bancária em Duque de Caxias, revelou a dinâmica do esquema. A partir de informações de inteligência financeira encaminhadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), policiais acompanharam o saque realizado pelo administrador de uma empresa contratada para executar obras em escolas estaduais. O dinheiro estava em uma sacola plástica, dentro de uma caminhonete conduzida por um policial militar armado, apontado como responsável pela segurança do transporte dos valores.
Em depoimento, o administrador da empresa abordado com o dinheiro afirmou que, dos aproximadamente R$ 6 milhões recebidos para cerca de 15 obras, apenas R$ 2 milhões foram destinados à execução dos serviços. Segundo ele, os outros R$ 4 milhões ficaram com o intermediário que organizava as contratações e controlava a movimentação da conta bancária. A análise dos processos de contratação e das informações financeiras identificou que uma das empresas recebeu aproximadamente R$ 19,8 milhões em recursos públicos somente em 2025. Também foram identificados R$ 8,93 milhões em saques em espécie.
A operação busca identificar os beneficiários dos possíveis desvios e reunir provas sobre a atuação dos integrantes do esquema. A investigação permanece em andamento e tramita sob sigilo. Outros detalhes serão preservados para resguardar as diligências.
Por MPRJ

