20/08/2026
Polícia

PF e MPRJ cumprem mandados contra a milícia de Juninho Varão, da Baixada Fluminense

Milícia de Juninho Varão alvo de operação da PF e MPRJ na Baixada Fluminense

A milícia de Juninho Varão passou a ser alvo direto da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta quinta-feira (20), com o início da Operação Fora de Ordem. A ação busca desarticular um grupo que, segundo as investigações, age na Baixada Fluminense impondo com violência o monopólio de internet e de botijões de gás em áreas sob seu domínio.

A deflagração reúne busca e apreensão, bloqueio de ativos e medidas de indisponibilidade de bens. Para as autoridades, o caso ilustra o avanço de organizações criminosas que misturam controle armado de território com exploração econômica de serviços essenciais — modelo atribuído, neste inquérito, à milícia de Juninho Varão.

O que se sabe sobre a milícia de Juninho Varão

De acordo com a investigação, a milícia de Juninho Varão atua desde 2013 em bairros de Nova Iguaçu e municípios vizinhos. O grupo se valeria de domínio territorial, poder intimidatório e violência para explorar atividades econômicas ilegais, sobretudo o controle de internet clandestina ou monopolizada e a comercialização forçada de gás.

A PF afirma que o objetivo da operação é “desarticular uma organização criminosa armada com influência territorial e econômica na Baixada Fluminense” e “desmantelar estruturas supostamente utilizadas para a ocultação de recursos provenientes das atividades ilícitas investigadas”. Em outras palavras, não basta prender armamento: é preciso cortar o dinheiro que sustenta a estrutura.

Moradores de áreas sob influência miliciana costumam relatar, em denúncias anônimas e em reportagens ao longo dos anos, cobranças abusivas, ameaças a concorrentes e imposições no dia a dia. No recorte específico deste inquérito, essas práticas são associadas à milícia de Juninho Varão e ajudam a explicar a dimensão financeira apontada pelo Coaf.

Operação Fora de Ordem: 23 mandados em curso

Na ofensiva desta quinta-feira, agentes saíram para cumprir 23 mandados de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). As diligências ocorrem na capital fluminense e em Nova Iguaçu, cidade citada como base territorial relevante do grupo.

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros, o sequestro e a indisponibilidade de bens ligados aos investigados. Um dos endereços alcançados fica em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A escolha dos alvos reforça a hipótese investigativa de acumulação patrimonial e de tentativa de distanciar o produto do crime das áreas de atuação ostensiva.

Mandados em série, com simultaneidade entre Baixada e capital, são usados para reduzir o risco de destruição de provas e de comunicação entre núcleos. No cerco à milícia de Juninho Varão, essa lógica aparece tanto nas buscas quanto nas medidas patrimoniais determinadas pelo TJRJ.

R$ 350 milhões em movimentações sob suspeita

A investigação identificou movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 350 milhões, com base em relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O volume chamou atenção e sustentou pedidos de bloqueio e de busca e apreensão.

Relatórios do Coaf não equivalem, por si só, a condenação criminal. Eles sinalizam operações incompatíveis com o perfil esperado de pessoas e empresas e servem de ponto de partida para a Polícia Federal e o MPRJ aprofundarem a origem e o destino do dinheiro. No caso envolvendo a milícia de Juninho Varão, esse sinal de alerta financeiro ganhou peso ao ser cruzado com indícios de monopólio armado de serviços.

Especialistas em lavagem de dinheiro costumam destacar que milícias contemporâneas não vivem apenas de “taxas” em espécie: usam laranjas, empresas de fachada, compra de bens e fragmentação de depósitos. A operação agora em curso tenta mapear exatamente esse caminho no entorno do grupo investigado.

Como o grupo estaria organizado

Segundo a investigação, haveria estrutura compartimentada, com divisão de tarefas entre núcleos de comando, financeiro, operacional, territorial e político. Há ainda indícios de vínculos com agentes públicos e de possível infiltração da organização criminosa no aparato estatal — ponto que, se confirmado, agrava a gravidade do caso e a complexidade da apuração.

A compartimentação serve a dois objetivos: proteger a cúpula e dificultar a colaboração premiada ampla. Cada núcleo sabe apenas o necessário para sua função. Ao mirar documentos, celulares, extratos e bens, a Operação Fora de Ordem busca reconstruir o organograma atribuído à milícia de Juninho Varão a partir de provas materiais, e não só de depoimentos.

A menção a um possível braço político e a contatos com o poder público também explica por que o MPRJ participa lado a lado da PF. Investigações híbridas — crime organizado + lavagem + suspeita de corrupção — exigem articulação entre polícia judiciária federal e Ministério Público estadual.

Internet e gás: o negócio por trás da violência

O monopólio de internet e de botijões de gás aparece como eixo econômico central da denúncia em construção. Na prática, isso significa expulsar ou coagir provedores e revendedores legítimos, fixar preços e transformar serviço essencial em fonte estável de receita ilegal.

Em comunidades sob ameaça, denunciar é arriscado. Por isso, operações de grande porte dependem de inteligência financeira, interceptações autorizadas e análise de vínculos patrimoniais. O cerco à milícia de Juninho Varão segue essa cartilha: primeiro o mapa do dinheiro e da estrutura; depois a batida simultânea.

Quando um grupo controla internet, ele controla informação local, câmeras e até a logística de outros negócios. Quando controla gás, pressiona o orçamento doméstico de milhares de famílias. Daí a relevância social da Operação Fora de Ordem para além do noticiário policial.

Crimes investigados e o que pode acontecer agora

Os investigados poderão responder por organização criminosa armada, extorsão e lavagem de capitais. As tipificações finais dependem do que for apreendido, da análise dos dados financeiros e de eventuais indiciamentos e denúncias.

Nas próximas semanas, o ritmo da apuração costuma incluir: exame de celulares e computadores; quebra de sigilos complementares, se autorizadas; audiências de custódia em caso de prisões; e pedidos de prorrogação de medidas cautelares. O sucesso da ação contra a milícia de Juninho Varão será medido menos pelo número de mandados e mais pela capacidade de impedir a reconstrução rápida do grupo.

Também é possível que surjam réus colaterais — contadores, laranjas, empresários de fachada ou intermediários. Em investigações de milícia com forte componente econômico, a “orla civil” do crime organizado frequentemente aparece depois da primeira onda de buscas.

Baixada Fluminense: um tabuleiro antigo de milícias

A Baixada Fluminense concentra há anos operações contra grupos milicianos. A Tribuna NF já registrou ações em Nova Iguaçu e entorno, como a morte do miliciano Tubarão em operação da Polícia Civil — Miliciano Tubarão é morto durante operação da Polícia Civil em Nova Iguaçu — e apreensões que mostram a sofisticação desses grupos, a exemplo de Polícia apreende falsas viaturas da Core na Baixada Fluminense.

Há também registros de confrontos e apreensão de fuzis, como em Dois milicianos morrem, um é preso e sete fuzis apreendidos em operação, além de episódios que misturam milícia e suspeita de informação privilegiada no aparato de segurança, como em Policial civil e advogado são presos suspeitos de passar informações privilegiadas à milícia de Zinho.

Esse histórico ajuda o leitor a entender por que a deflagração contra a milícia de Juninho Varão não é um caso isolado, e sim mais um capítulo de uma disputa longa pelo controle de territórios e mercados ilegais na região metropolitana do Rio.

Por que a operação importa para a população

O impacto não se limita à estatística de segurança pública. Ao impor monopólio de internet e gás, o grupo interfere no cotidiano de famílias, comerciantes e prestadores de serviço, elevando preços, restringindo concorrência e submetendo moradores a regras impostas pela força.

Há ainda efeito simbólico: cada operação de grande porte sinaliza se o Estado consegue reagir a organizações com braço armado e braço econômico. Por isso, o acompanhamento jornalístico da milícia de Juninho Varão e da Operação Fora de Ordem deve seguir além do dia da deflagração, com atenção a indiciamentos, denúncias e eventuais solturas.

Para quem vive na Baixada, a pergunta prática é simples: os preços abusivos e as ameaças diminuem depois da batida? A resposta só aparece com o tempo, com presença policial sustentada e com o desmonte financeiro do grupo.

Linha do tempo resumida do que foi divulgado

  • Desde 2013: atuação atribuída ao grupo em Nova Iguaçu e vizinhança
  • Apuração financeira: Coaf aponta movimentações atípicas acima de R$ 350 milhões
  • Autorização judicial: 2ª Vara de Organização Criminosa do TJRJ expede mandados
  • 20 de agosto de 2026: PF e MPRJ deflagram a Operação Fora de Ordem
  • 23 mandados de busca e apreensão na capital e em Nova Iguaçu
  • Medidas patrimoniais: bloqueio de ativos, sequestro e indisponibilidade de bens
  • Um dos alvos: endereço em condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes

Perguntas frequentes

O que é a Operação Fora de Ordem?

É a ação da PF e do MPRJ com mandados de busca, apreensão e medidas patrimoniais para desarticular a milícia de Juninho Varão e sua estrutura financeira na Baixada Fluminense e no Rio.

Onde o grupo atuaria?

Segundo a investigação, em bairros de Nova Iguaçu e municípios vizinhos, com diligências também na capital, inclusive na Zona Oeste.

Quais atividades econômicas são apontadas?

Monopólio de internet e comercialização de botijões de gás mediante violência e intimidação.

Já existe condenação anunciada?

Não. Esta fase é de cumprimento de mandados e coleta de provas. Indiciamentos, denúncia e julgamento são etapas posteriores.

O que significa o valor de R$ 350 milhões?

Trata-se de movimentações financeiras consideradas atípicas pela inteligência do Coaf, usadas como indício para aprofundar a apuração de lavagem e ocultação de bens.

Fonte e acompanhamento da Tribuna NF

A Tribuna NF acompanha os desdobramentos do cerco à milícia de Juninho Varão e atualizará as informações conforme novas confirmações oficiais. A reportagem teve como base informações inicialmente divulgadas pelo G1, além do conteúdo da operação descrito pelas autoridades.

Em um Estado marcado pela disputa entre milícias, tráfico e instituições de segurança, operações como a Fora de Ordem são termômetro da capacidade do poder público de reagir a organizações criminosas com influência territorial e econômica. O resultado prático — apreensões, bloqueios, indiciamentos e eventual denúncia — dirá se o golpe desta quinta-feira consegue enfraquecer de forma duradoura a milícia de Juninho Varão.

Seguiremos publicando atualizações sobre a Operação Fora de Ordem, o destino dos bens bloqueados e o andamento das investigações na Baixada Fluminense, com foco em fatos confirmados e no impacto concreto para a população dos bairros afetados pelo domínio armado e pela exploração ilegal de serviços.

O papel da PF e do MPRJ no enfrentamento às milícias

A Polícia Federal entra com capacidade de investigação patrimonial e de crimes federais conexos, enquanto o MPRJ conduz a persecução penal no âmbito estadual e formula pedidos judiciais perante o TJRJ. Juntas, as instituições tentam evitar que a apuração fique restrita ao “flagrante ostensivo” e avance sobre o caixa do crime.

No cerco à milícia de Juninho Varão, essa divisão de tarefas aparece na combinação entre mandados de busca, relatórios do Coaf e bloqueio de bens. É uma estratégia que já foi usada em outras frentes contra milícias fluminenses e que depende de velocidade: quanto mais cedo se preservam provas digitais e documentos, menor a chance de desaparecimento de rastros.

Outro ponto sensível é a proteção de testemunhas e o sigilo de diligências. Em territórios dominados por milícia, a colaboração da população só aumenta quando há percepção de continuidade da ação do Estado — não apenas de uma operação midiática de um dia.

Impacto econômico local e concorrência ilegítima

Serviços de internet e gás são mercados de margem recorrente. Quem controla a “última milha” do acesso ou a troca do botijão captura renda mensal previsível. Por isso, disputas por esses mercados na Baixada Fluminense costumam ser violentas e duradouras.

Quando a milícia de Juninho Varão é apontada como responsável por impor monopólio, o prejuízo não é só do concorrente expulsado: é do consumidor, que perde escolha e paga mais, e da cidade, que vê a economia formal encolher. Operações como a Fora de Ordem, se sustentadas, podem reabrir espaço para prestadores regulares — desde que haja segurança para voltar a operar.

Empresas de telecomunicações e revendedores legitimados frequentemente denunciam, em canais oficiais, a dificuldade de atuar em áreas sob ameaça. A resposta estatal eficiente combina repressão penal e estímulo à retomada da oferta legal.

Operação policial relacionada à milícia de Juninho Varão na Baixada Fluminense

O que observar nos próximos dias

1) Divulgação de prisões em flagrante ou por mandado após as buscas; 2) lista mais clara de bens bloqueados; 3) manifestações formais da PF e do MPRJ; 4) eventuais pedidos de liberdade e respostas do TJRJ; 5) indícios de retaliação em comunidades da Baixada.

A cobertura responsável evita transformar suspeito em condenado. Ao mesmo tempo, registra a gravidade das acusações contra a milícia de Juninho Varão e a escala financeira sugerida pelos R$ 350 milhões em movimentações atípicas.

A Tribuna NF permanecerá atenta aos documentos públicos, às audiências e às atualizações oficiais para informar leitores de Campos, da região Norte/Noroeste e de todo o Estado do Rio sobre os efeitos práticos da Operação Fora de Ordem.

Contexto institucional: a 2ª Vara de Organização Criminosa

A existência de varas especializadas no TJRJ busca dar agilidade e expertise a processos complexos, com muitas provas técnicas e réus interligados. Mandados contra estruturas como a milícia de Juninho Varão passam por análise de proporcionalidade, indícios e risco à investigação.

Medidas de bloqueio e indisponibilidade de bens são instrumentos para evitar que o produto estimado do crime evapore antes da conclusão do processo. Elas não encerram o mérito, mas preservam a utilidade de uma eventual condenação futura e de reparações.

Em resumo, a Operação Fora de Ordem é o capítulo visível de um trabalho que começou antes — no Coaf, na inteligência e na montagem do dossiê — e que ainda terá fases menos espetaculares, porém decisivas, no gabinete da polícia, no MP e no Judiciário.

Mandados contra a milícia de Juninho Varão cumprem etapa da Operação Fora de Ordem

Para a opinião pública, o nome milícia de Juninho Varão passa a integrar a lista de facções e milícias citadas em grandes operações no Rio. Para os moradores das áreas afetadas, o que importa é saber se a pressão armada e as cobranças ilegais vão diminuir. Essa resposta virá da continuidade da apuração e da presença do Estado após as câmeras da deflagração se desligarem.

O acompanhamento jornalístico continuará diferenciando o que já foi formalmente atribuído à milícia de Juninho Varão pelas autoridades e o que ainda depende de prova complementar. Transparência com o leitor também faz parte do enfrentamento: sem alarmismo, sem condenação precoce e sem esvaziar a gravidade do que a PF e o MPRJ descreveram sobre a milícia de Juninho Varão na Baixada Fluminense.

Mapa rápido: quem investiga a milícia de Juninho Varão

A PF conduz diligências federais e patrimoniais; o MPRJ atua na persecução local; o TJRJ autoriza mandados e bloqueios. Esse triângulo institucional é o que sustenta, nesta quinta-feira, o avanço contra a milícia de Juninho Varão.

Sem o Coaf, o valor de R$ 350 milhões talvez não tivesse ganhado a mesma centralidade. Sem a vara especializada, os 23 mandados não sairiam com a mesma velocidade. Sem a polícia na ponta, a milícia de Juninho Varão continuaria operando o monopólio de internet e gás sem o mesmo risco imediato de apreensão documental.

Por isso, mais do que uma sigla de operação, a Fora de Ordem é um teste de coordenação. O nome da milícia de Juninho Varão entra no noticiário; o desafio é impedir que a estrutura sobreviva ao ciclo de holofotes.

A Tribuna NF reitera: as informações aqui reunidas refletem o que foi divulgado sobre a milícia de Juninho Varão até o fechamento desta atualização. Novos nomes, prisões e valores bloqueados serão incorporados conforme confirmação oficial, sempre distinguindo investigação em curso de sentença transitada em julgado.

Enquanto isso, a pergunta que permanece na Baixada é objetiva — a milícia de Juninho Varão perde de fato capacidade de coagir prestadores e moradores após os 23 mandados? Só o acompanhamento dos próximos atos processuais e da presença do Estado no território responderá com clareza.

PF e MPRJ na ofensiva contra a milícia de Juninho Varão

Atualização de cobertura: a Tribuna NF segue monitorando medidas judiciais e policiais relacionadas à milícia de Juninho Varão na Operação Fora de Ordem.

Em síntese, a Operação Fora de Ordem coloca a milícia de Juninho Varão no centro de uma ofensiva patrimonial e criminal conjunta da PF e do MPRJ, com 23 mandados e indícios financeiros de alta escala.

A Tribuna NF atualizará esta página conforme novos fatos oficiais sobre a milícia de Juninho Varão forem confirmados pelas autoridades.

Com os 23 mandados e o bloqueio de bens, a pressão sobre a milícia de Juninho Varão deixa de ser apenas ostensiva e passa a mirar o financiamento do grupo.

Anuncie AQUI - Tribuna NF - Seu jornal online

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *