Paes esconde Lula na estreia da TV, Ruas exibe Bolsonaro e transforma eleição do Rio em duelo de padrinhos

A estreia da propaganda eleitoral para o Governo do Rio de Janeiro deixou uma mensagem clara sobre a estratégia dos candidatos: Eduardo Paes tirou Lula da vitrine, enquanto Douglas Ruas colocou Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro na tela.
Não foi por acaso.
Paes apareceu sozinho em seu primeiro programa. Lula, principal liderança do campo político que apoia sua candidatura, não apareceu. Também não houve imagens ou manifestações de apoio do presidente.
A estratégia parece ter endereço certo: o eleitor conservador.
Paes sabe que precisa avançar sobre um eleitorado que, em boa parte, mantém resistência a Lula e continua identificado com a direita. Por isso, na largada da televisão, preferiu não carregar o peso da associação com o presidente.
Ruas decidiu fazer exatamente o contrário.
O candidato exibiu imagens ao lado de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, reforçando sua ligação com o bolsonarismo. Mas não parou aí.
Na sequência, a propaganda resgatou fotografias antigas de Paes ao lado de Lula e do ex-governador Sérgio Cabral.
Foi uma provocação calculada.
A mensagem de Ruas é simples: enquanto Paes tenta se apresentar sem Lula na televisão, sua trajetória política permite ao adversário lembrar ao eleitor suas antigas alianças e aproximações.
A disputa, portanto, não está apenas entre candidatos. Está também entre padrinhos políticos.
De um lado, Paes tenta construir uma imagem capaz de dialogar com o eleitorado de centro e também reduzir a rejeição entre os conservadores. Do outro, Ruas aposta na força eleitoral do sobrenome Bolsonaro para marcar posição no campo da direita.
É uma guerra de imagens que tende a ganhar força ao longo da campanha.
E há uma ironia política na largada: Lula não precisou aparecer no programa de Paes para entrar na campanha. Bolsonaro também não precisou subir ao palanque de Ruas para ser protagonista.
Os dois já estão na disputa pelo Palácio Guanabara — pelo menos na televisão.


