Cláudio Castro exonera presidente do Rioprevidência que renunciou após operação da PF

O governador Cláudio Castro (PL) exonerou na tarde desta sexta-feira o presidente do Rioprevidência, que entregou nesta sexta-feira uma carta de renúncia após uma operação da Polícia Federal. A PF apreendeu veículos de luxo, dinheiro em espécie, eletrônicos e documentos durante a Operação Barco de Papel, deflagrada nesta sexta-feira, que mira diretores do Rioprevidência no âmbito das investigações sobre investimentos do fundo previdenciário fluminense no Banco Master.
O alvo principal é o diretor-presidente Deivis Marcon Antunes, que está fora do Brasil, em viagem aos Estados Unidos desde o dia 15, segundo apuração. Na publicação no Diário Oficial aparece que ele foi demitido pelo governador, apesar da carta de renúncia. No texto, ele diz que sempre agiu “com espírito público”:
“Ao longo do período em que estive à frente da instituição, dediquei-me integralmente ao fortalecimento do Rioprevidência, promovendo um ciclo virtuoso de gestão, marcado pela valorização dos servidores, pelo aprimoramento dos processos internos e pela defesa intransigente e inegociável dos interesses da autarquia (…) Enfatizo que repilo tentativas de inquinar como ilegal qualquer ato que pratiquei na gestão do Riopreviência, pois, como disse, sempre agi com espírito público, correção e dentro dos mais elevados preceitos éticos, conduta essa que sempre pautou minha vida profissional nos locais onde trabalhei”, diz trecho do texto.
Também são investigados o diretor de Investimentos Eucherio Lerner Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal. O Rioprevidência é a autarquia responsável por gerir aposentadorias e pensões de mais de 235 mil servidores estaduais.
O que foi apreendido
De acordo com o balanço final da operação, os agentes recolheram arquivos digitais, documentos e bens em diferentes alvos.
Na sede do Rioprevidência, foram apreendidos:
- Arquivos digitais e documentos diversos.
Na residência de Deivis Marcon Antunes, em Botafogo:
- Um veículo de luxo blindado;
- cerca de R$ 7 mil em espécie;
- um pen drive;
- um relógio;
- documentos diversos.
Na residência na Gávea, foram apreendidos:
- um veículo de luxo;
- cerca de R$ 3,5 mil em espécie;
- um celular e um notebook;
- pen drive e HDs;
- documentos diversos.
Na residência na Urca, os agentes levaram:
- um celular e um notebook;
- documentos diversos.
Investigação apura aplicações de R$ 970 milhões
A apuração, aberta em novembro de 2025, investiga nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões do Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Segundo a investigação, entre outubro de 2023 e agosto de 2024, o fundo investiu esse valor em títulos com vencimento em 2033 e 2034 — instrumento de renda fixa usado por bancos para captar recursos e financiar operações de longo prazo. O principal risco desse tipo de investimento é a quebra do banco emissor, o que pode comprometer o resgate do valor aplicado com correção. No caso do Rio, o dinheiro integra o montante destinado ao pagamento de aposentadorias de servidores que ingressaram no serviço público na última década.
O trabalho da PF teve apoio da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social (SPREV/MPS), que elaborou um relatório de auditoria fiscal considerado decisivo para impulsionar a apuração. Estão sob análise suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, induzir em erro a administração pública e fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
Com informações O Globo.



