Ex-presidente do Rioprevidência negocia delação premiada

O ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, está negociando um acordo de colaboração premiada com a Justiça Federal no Rio de Janeiro. As informações foram divulgadas pelo jornalista Claudio Dantas. Antunes está preso preventivamente desde fevereiro, quando foi alvo da operação Barco de Papel, conduzida pela 6ª Vara Criminal.
Na última semana, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do ex-dirigente. Na decisão, o ministro Carlos Pires Brandão apontou a existência de indícios de autoria e materialidade dos crimes, além de risco concreto de interferência nas investigações.
Suspeitas de aporte bilionário e obstrução
De acordo com a Polícia Federal, Antunes é suspeito de atuar em conluio em operações que resultaram no aporte de ao menos R$ 1 bilhão de recursos da Rioprevidência no Banco Master. As investigações também indicam que, após o avanço das apurações, ele teria tentado eliminar evidências.
Entre os indícios levantados pela PF estão movimentações consideradas atípicas de malas e caixas entre imóveis ligados ao ex-presidente, retirada de objetos pouco antes de mandados de busca e apreensão e reorganização patrimonial envolvendo veículos de luxo. Também foi identificada a formatação do sistema de câmeras do condomínio onde reside, o que pode ter levado à destruição de imagens relevantes.
Auditorias apontam falhas graves na gestão
As investigações se baseiam em auditorias que indicam irregularidades na gestão de investimentos da Rioprevidência. Entre os problemas identificados estão a ausência de estudos técnicos para embasar decisões financeiras, mudanças em regras internas que facilitaram aplicações, além da concentração excessiva de recursos em uma única instituição.
Outro ponto destacado é o uso de intermediários sem justificativa formal nas operações. Diante das suspeitas, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) determinou a suspensão de novos investimentos relacionados ao banco investigado.
Possível impacto da delação no andamento do caso
Embora o inquérito principal envolvendo o Banco Master esteja em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), devido à presença de autoridades com foro privilegiado, o desdobramento específico sobre a Rioprevidência segue na primeira instância da Justiça Federal no Rio.
A eventual formalização de um acordo de delação por parte de Antunes pode alterar esse cenário, com a possibilidade de remessa do caso ao STJ ou ao próprio STF, dependendo do conteúdo das informações prestadas.



