Canetada do presidente da Alerj atinge nomes ligados ao Palácio Guanabara

A edição extraordinária do Diário Oficial da Assembleia Legislativa (Alerj), publicada na terça-feira (06), revelou que a onda de exonerações promovida pelo presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL), foi além de nomes ligados ao ex-governador Sérgio Cabral.
A lista incluiu servidores vinculados aos ex-presidentes da Casa André Ceciliano e Paulo Melo, quadros do então governador Wilson Witzel e até aliados do atual governador Cláudio Castro, ampliando o alcance político da reconfiguração administrativa em curso na Alerj.
Sob a assinatura Delaroli, foram confirmadas 186 exonerações e 20 dispensas que atingiram servidores vinculados a praticamente todos os grandes grupos políticos que já comandaram ou influenciaram o Legislativo fluminense nas últimas décadas.
Família Cabral no centro da lista
Entre os exonerados estão Marco Antônio Cabral e Suzana Neves, filho e ex-esposa de Sérgio Cabral. Marco Antônio atuava como assistente da assessoria da presidência, enquanto Suzana ocupava cargo de assessora na diretoria-geral da Alerj.
Também foi dispensado Dilson Avelino da Silva, que havia trabalhado com Marco Antônio Cabral na Câmara dos Deputados e exercia função no mesmo setor da presidência da Assembleia.
Quadros de Paulo Melo e André Ceciliano
A canetada também alcançou nomes ligados a ex-presidentes da Alerj. Ronaldo Veloso Ribeiro, então assessor de André Ceciliano durante sua gestão à frente da Casa, foi exonerado do cargo de assessor especial adjunto da presidência.
Outro desligamento de peso foi o de Marcelo Ferreira Neves, segurança que atuou com Paulo Melo quando ele presidia o Legislativo. Marcelo estava vinculado à superintendência militar da Alerj.
Em nota, Paulo Melo afirmou que a demissão é prerrogativa de quem exerce o poder e destacou que o servidor prestava serviços relevantes. Já Sérgio Cabral afirmou que deixou a presidência da Assembleia em 2003 para assumir o mandato de senador e que, desde então, não exerce qualquer ingerência sobre decisões administrativas da Casa.
Cláuido Castro e herança de Witzel
As exonerações não se limitaram ao histórico interno da Assembleia. Sérgio dos Santos Barcelos, que foi subsecretário estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos durante o governo de Wilson Witzel, foi afastado do cargo de assistente da presidência da Alerj. O desligamento reforçou a leitura de que a revisão alcançou também quadros oriundos do Executivo estadual de gestões passadas.
A lista incluiu até nomes ligados ao atual governador Cláudio Castro (PL). Aislan de Souza Coelho, tesoureiro da campanha de Castro, foi dispensado da Subdiretoria-Geral de Controle Interno. O gesto foi interpretado como um sinal de que a varredura não poupou nem mesmo aliados do governo em exercício.
Campos e o interior na lista
A reorganização atingiu ainda quadros políticos do interior do estado. Rafael Diniz, ex-prefeito de Campos dos Goitacazes entre 2017 e 2021, foi exonerado da subdiretoria-geral de Informática da Alerj. Outro nome ligado a Campos é Filipe Albernaz Mothé, ex-procurador-geral da Câmara Municipal da cidade, que deixou a subdiretoria de Assuntos Legislativos.
Além deles, foram dispensados os chefes dos departamentos de Cerimonial, Comunicação Social, Controle Interno, Engenharia e Material, ampliando o impacto da medida sobre áreas estratégicas da administração.
Bastidores e recado político
Nos bastidores, a leitura predominante é de que a decisão de Delaroli foi além de um ajuste administrativo. Servidores avaliam que a ampla lista de exonerações funcionou como um recado político ao desmontar redes de influência construídas ao longo de diferentes gestões. A presidência da Casa trabalha com a suspeita de que havia cargos sem função efetiva e estruturas pouco transparentes.
Em nota, Delaroli afirmou que as exonerações seguem o curso natural da transição na presidência e que as mudanças buscam aprimorar a gestão e os serviços prestados, acrescentando que não comentaria casos específicos.
Processo ainda em andamento
A percepção interna é de que esta foi apenas a etapa mais visível do processo. Nos corredores da Assembleia, circula a informação de que uma lista bem maior, com cerca de mil nomes, ainda está sob avaliação.
Aliados de Delaroli relatam que a próxima fase deve envolver análise técnica de currículos e reorganização de áreas estratégicas, indicando que a reformulação da máquina administrativa da Alerj está longe de terminar.
Com informações do site Agenda do Poder



