TRF-2 transforma em prisão preventiva alvos da Operação Furna da Onça

RIO — O desembargador Abel Gomes, relator da Operação Furna da Onça, tornou ontem preventiva a prisão temporária de seis deputados estaduais fluminenses, cujo prazo terminaria no primeiro minuto de hoje. Com isso, permanecem detidos, agora sem previsão de sair, André Corrêa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcos Abrahão (Avante) e Marcos Vinícius de Vasconcelos Ferreira Neskau (PTB). A conversão também atinge o secretário estadual de Governo, Affonso Monerat, além do vereador Daniel Marcos Barbirato de Almeida (enteado de Martins e também do PDT) e os assessores José Antonio Wermelinger e Leonardo Andrade.

Os dez fazem parte de um grupo de 22 pessoas presas na última quinta-feira sob a suspeita de participação em um esquema de pagamento de propina comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral. Os parlamentares são acusados de receber dinheiro em troca de votos para projetos de interesse do governo na Assembleia Legislativa (Alerj). O esquema, que teria começado no início do primeiro governo Cabral, em 2007, e perduraria até hoje, pagava valores mensais aos deputados que variavam de R$ 20 mil a R$ 100 mil.

Ao acolher o pedido de conversão feito pela Procuradoria Regional da República da 2ª Região (PRR2), o desembargador Abel Gomes considerou o argumento de que houve vazamento da operação, já que os mandados de busca e apreensão cumpridos na quinta-feira teriam comprovado que parte dos investigados destruiu ou sumiu com provas.

Além de converter as dez prisões temporárias, o relator também determinou a detenção preventiva dos irmãos Andrea e Fábio Cardoso do Nascimento, ambos ex-assessores do deputado Paulo Melo (MDB). Ele também reiterou a prisão preventiva, vigente desde novembro do ano passado, do próprio Mello e de seus colegas de partido Jorge Picciani e Edson Albertassi, detidos na Operação Cadeia Velha.

A prisão preventiva é uma medida cautelar que tem o objetivo de evitar que o acusado cometa novos crimes ou ainda que, em liberdade, prejudique a colheita de provas (destruição de evidências, intimidação de testemunhas, por exemplo) ou perigo de fuga.

De acordo com a decisão de Abel Gomes, o vazamento de informações teria ocorrido pouco antes da execução das medidas adotadas com a deflagração da fase ostensiva da investigação. “Há indícios documentais e descrição de circunstâncias contextuais verificadas no cumprimento dos mandados de busca e apreensão e de prisões temporárias indicando que alguns dos investigados e pessoas a eles relacionados teriam conhecimento prévio das ações policiais, não só se ‘preparando’, mas atuando para o impedimento da arrecadação, alteração ou destruição de elementos de convicção”, sustentou.

Fonte: O Globo

De sua opinião